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terça-feira, 1 de junho de 2010

Música espírita e "pirataria"

Olá, amigos.

Semanas atrás, conversando com um amigo, veio à tona a questão da "pirataria" dos trabalhos espíritas.

Particularmente, sou totalmente a favor dessa pirataria, e por diversas razões. Vale resumir.

Primeiro, penso que se não fosse a a disponibilização pela Internet, a cópia de arquivos e CDs etc, os diversos trabalhos de música espírita seriam estanques, limitados geograficamente, pra dizer o mínimo. É que não temos mídias tradicionais, não temos a força do dinheiro, não temos capacidade de distribuição e outros meios que normalmente fazem uma música chegar nas pessoas.

Então, hoje, um trabalho musical às vezes alcança um ponto distante justamente porque alguém "pirateou" um CD.

Em segundo lugar, se nós acreditamos na mensagem que veiculamos, devemos reconhecer que toda a maneira de difundí-la é útil e bem vinda. A mensagem de bem não pertence a ninguém, e quanto mais puder se espalhar, melhor.

Sei que as produções têm um custo e que esse custo muitas vezes só é pago pela venda. Eu mesmo contabilizo, até hoje, prejuízo financeiro com o CD Viajante do Universo, e olha que eu tive ajudas importantes, como o "precinho camarada" dos que comungam da causa, a ajuda voluntária de diversos amigos e até a bilheteria de uma apresentação de Tim e Vanessa que foi doada pra ajudar nas despesas do Viajante.

Mas quem disse que seria fácil? Se pretendemos fazer alguma coisa diferente, em moldes difererentes dos esquemas viciados que o mundo tem à vontade, vamos precisar mudar esse nosso modo de agir, de pensar, de fazer.

Eis a oportunidade pra sermos diferentes.

Por isso, pra mim, não existe pirataria, e sim ferramenta de divulgação. Aliás, se não fosse a Internet, eu acredito que sequer teria gravado um CD. Não é por outra razão que todas as músicas do Viajante do Universo estão disponíveis para download em suas versões completas, como também as músicas dos CDs de Tim e Vanessa, entre outros trabalhos.

Cabe, porém, uma observação: isso não significa de maneira nenhuma uma crítica aos amigos que projetam e efetivam seus trabalhos segundo outra lógica e que não aprovam a cópia de seus trabalhos. Cada um é que sabe de suas possibilidades, dificuldades, necessidades etc. O que estou propondo aqui é apenas um modo de ver, que venho adotando porque a vida, por outro lado, tem permitido.

E, no mais, tenho colhido uma preciosa recompensa de tudo isso, de maneira inesperada, surpreendente e imerecida: é a amizade de tão diversas pessoas que se afinizam com o nosso trabalho e que me permite estar entre amigos sempre, mesmo que eu entre num recinto onde pensava não conhecer ninguém.

É que é extremamente gratificante esse convívio fraternal baseado na sintonia de propósitos.

Em tempo: outra revolução silenciosa e baseada na gratuidade que vem surgindo são as web rádios espíritas. Hoje, há espaço e jeito se fazer essas coisas, então temos aí o surgimento gradual de outra boas iniciativas que divulgam esse tipo de trabalho pra quem se interessar. Isso é muito bom.

*** OBSERVAÇÃO: prezados, estou incluindo esta observação em 07/06/2010. É que a partir de atentas observações de alguns amigos e após reler o que escrevi, queria apenas esclarecer que quando eu disse que toda a maneira de difundir o nosso trabalho é bem vinda, eu me referi àquilo o que pode ser feito legítima e legalmente, ou seja, por quem possui o direito de dispor sobre as obras.

Naturalmente, eu não quis defender a idéia de que o particular possa por si mesmo fazer esse tipo de coisa, até porque isso pode configurar crime, segundo a lei brasileira.

Caso isso não tenha ficado cristalino, espero assim deixá-lo com essa observação.