Recebi algumas boas cartas redigidas por confrades indignados com a reportagem veiculada neste mês na revista Superinteressante sobre Chico Xavier, cartas essas destinadas a rebater o que foi publicado pela revista.
Antes de ler tais cartas, tive o cuidado de comprar e ler a revista, pra não incorrer no mesmo equívoco de superficialidade e fuga ao contraditório que, depois, vi que a revista incorreu.
Comprar a revista, aliás, não anda tarefa fácil, pois embora lançada há poucos dias, já está esgotada em muitas bancas. Teria o objetivo da controvérsia sido alcançado com o barulho que fez vender muito e rapidamente?
Mas para sermos sucintos, vejamos que em determinado ponto a reportagem menciona que Chico participou do programa Pinga Fogo na década de 70, foi "bombardeado" de perguntas e se "safou".
Então eu diria: se Chico se "safou" daquele contexto, em que a audiência da TV brasileira era unânime em torno do já extinto canal, e em que estudiosos conhecedores de suas ciências tentaram encurralar o médium mineiro, qual será a dificuldade em se "safar" de uma reportagem tão claramente tendenciosa, sem base séria de pesquisa e veiculada numa revista de quase desprezível expressão?
Ou seja, tudo segue como está, não merecendo a publicação sequer o barulho dos espíritas, que devem tentar compreender que se a publicação assim agiu por ignorância, deve contar com nossa comiseração; se agiu por leviandade, que conte com nossa compaixão; e se agiu tão somente com o interesse de vender mais revistas, que nossa indulgência silencie paciente, pois já compreendemos que os mecanismos que movimentam os interesses na matéria física não costumam se coadunar com a verdade e com os elevados valores do espírito.
Os tempos são de livre expressão. E quem constrói suas convicções sobre a areia e as espalha, que suporte os custos do desmoronamento inevitável.