Recebi algumas boas cartas redigidas por confrades indignados com a reportagem veiculada neste mês na revista Superinteressante sobre Chico Xavier, cartas essas destinadas a rebater o que foi publicado pela revista.
Antes de ler tais cartas, tive o cuidado de comprar e ler a revista, pra não incorrer no mesmo equívoco de superficialidade e fuga ao contraditório que, depois, vi que a revista incorreu.
Comprar a revista, aliás, não anda tarefa fácil, pois embora lançada há poucos dias, já está esgotada em muitas bancas. Teria o objetivo da controvérsia sido alcançado com o barulho que fez vender muito e rapidamente?
Mas para sermos sucintos, vejamos que em determinado ponto a reportagem menciona que Chico participou do programa Pinga Fogo na década de 70, foi "bombardeado" de perguntas e se "safou".
Então eu diria: se Chico se "safou" daquele contexto, em que a audiência da TV brasileira era unânime em torno do já extinto canal, e em que estudiosos conhecedores de suas ciências tentaram encurralar o médium mineiro, qual será a dificuldade em se "safar" de uma reportagem tão claramente tendenciosa, sem base séria de pesquisa e veiculada numa revista de quase desprezível expressão?
Ou seja, tudo segue como está, não merecendo a publicação sequer o barulho dos espíritas, que devem tentar compreender que se a publicação assim agiu por ignorância, deve contar com nossa comiseração; se agiu por leviandade, que conte com nossa compaixão; e se agiu tão somente com o interesse de vender mais revistas, que nossa indulgência silencie paciente, pois já compreendemos que os mecanismos que movimentam os interesses na matéria física não costumam se coadunar com a verdade e com os elevados valores do espírito.
Os tempos são de livre expressão. E quem constrói suas convicções sobre a areia e as espalha, que suporte os custos do desmoronamento inevitável.
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sábado, 10 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Uma provocação...
Olá, amigos.
Tenho muitas coisas pendentes pra postar aqui. Prometo não demorar.
Mas, por hora, lanço apenas uma pequena provocação, pra quem quiser pensar sobre o caso.
Nos últimos dias temos recebido vários informes sobre sessões solenes em Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e congêneres, em todo o Brasil, em homenagem ao Chico Xavier.
Pergunto: o que vocês acham que o Chico sente nessas horas? Satisfação por estar recebendo homenagens dos encarnados ou lamentação pelo fato de as pessoas gastarem esse tempo com ele ao invés de o fazerem com os necessitados?
Abraços...
Tenho muitas coisas pendentes pra postar aqui. Prometo não demorar.
Mas, por hora, lanço apenas uma pequena provocação, pra quem quiser pensar sobre o caso.
Nos últimos dias temos recebido vários informes sobre sessões solenes em Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e congêneres, em todo o Brasil, em homenagem ao Chico Xavier.
Pergunto: o que vocês acham que o Chico sente nessas horas? Satisfação por estar recebendo homenagens dos encarnados ou lamentação pelo fato de as pessoas gastarem esse tempo com ele ao invés de o fazerem com os necessitados?
Abraços...
domingo, 23 de agosto de 2009
Direitos autorais dos espíritos
Tenho muitos livros espíritas. A maioria é de fonte mediúnica e possui como signatários uma dupla: o médium e o autor espiritual.
Em minhas mãos, agora, estou com o livro "Ação e Reação", uma dessas pérolas raras de André Luiz. Tem tudo, como os demais livros do Chico Xavier, pra ser um livro absolutamente diferente dos livros que a literatura mundial disponibiliza: trata dos temas de além-túmulo, narrando uma inimaginável vida no plano espiritual; consubstancia ensinamentos de elevado teor moral, que concitam os homens a agir pensando nas consequencias do que faz, mesmo quando consiga ocultar seus atos dos olhos dos homens; traduz um manual prático de compreensão da lei da reencarnação, traduzindo em prática a vida espiritual que o Consolador afirmou existir.
Mas há uma perspectiva que o torna um livro absolutamente comum, igual a todos os outros, e pelo que ele perde a oportunidade de mostrar ao mundo, também por essa ótica, o quanto é diferente: é que em suas primeiras páginas encontra-se aquela advertência tradicional de que trata-se de uma obra cujos direitos estão reservados ao seu editor, nos termos da lei. Lei dos homens, evocada para proteger os direitos patrimoniais, direitos à matéria, na mesmice em que se organizam as instituições humanas.
Tal obra não é disponibilizada pelos detentores de seus direitos nem mesmo pela Internet. Igualmente, não se vê o livrinho publicado em edições simples a preços módicos, em atitude compatível com a preocupação, que deveria ser precípua, de disseminar um conhecimento que se reputa tão revelador e consolador. Parece existir uma razão a sugerir que a exploração comercial e a renda gerada justificam tais práticas. É uma opção, que talvez não seja a mais coerente com a própria lógica da proposta, de esclarecer para a vida eterna.
Aliás, surge verdadeiro dilema na proteção dos direitos de exploração dessa obra: a lei em que se apóia tal proteção protege o autor, ou quem tenha deles recebido os direitos, e confere a seus sucessores a exploração exclusiva por um prazo de 75 anos, salvo engano, após a morte do autor. Como Chico Xavier morreu em 2002, até 2077 os detentores dos direitos poderão explorar os livros com exclusividade. Mas há uma inquietante pergunta a se fazer.
Não seria o Chico "mero" medianeiro de recepção desse material? Em verdade o conteúdo não seria de autoria de outras pessoas, já anteriormente falecidas? Pois bem. Parece-me que se há realmente a crença de que Emmanuel e André Luiz, por exemplo, são pessoas que viveram há muitas décadas e que se comunicaram com os encarnados por meio de médiuns, sendo os verdadeiros autores das obras, deveria ao menos haver certo constrangimento em apoiar-se na autoria de Chico Xavier para garantir a exploração exclusiva da obra, publicando-a e impedindo que outras editoras o façam, ou deixando de disponibilizar o conteúdo na Internet.
Ao contrário, se se optar por atribuir a autoria ao próprio Chico, fica renegado o caráter mediúnico da mensagem em troca do direito de explorar a renda das belíssimas histórias.
Em minhas mãos, agora, estou com o livro "Ação e Reação", uma dessas pérolas raras de André Luiz. Tem tudo, como os demais livros do Chico Xavier, pra ser um livro absolutamente diferente dos livros que a literatura mundial disponibiliza: trata dos temas de além-túmulo, narrando uma inimaginável vida no plano espiritual; consubstancia ensinamentos de elevado teor moral, que concitam os homens a agir pensando nas consequencias do que faz, mesmo quando consiga ocultar seus atos dos olhos dos homens; traduz um manual prático de compreensão da lei da reencarnação, traduzindo em prática a vida espiritual que o Consolador afirmou existir.
Mas há uma perspectiva que o torna um livro absolutamente comum, igual a todos os outros, e pelo que ele perde a oportunidade de mostrar ao mundo, também por essa ótica, o quanto é diferente: é que em suas primeiras páginas encontra-se aquela advertência tradicional de que trata-se de uma obra cujos direitos estão reservados ao seu editor, nos termos da lei. Lei dos homens, evocada para proteger os direitos patrimoniais, direitos à matéria, na mesmice em que se organizam as instituições humanas.
Tal obra não é disponibilizada pelos detentores de seus direitos nem mesmo pela Internet. Igualmente, não se vê o livrinho publicado em edições simples a preços módicos, em atitude compatível com a preocupação, que deveria ser precípua, de disseminar um conhecimento que se reputa tão revelador e consolador. Parece existir uma razão a sugerir que a exploração comercial e a renda gerada justificam tais práticas. É uma opção, que talvez não seja a mais coerente com a própria lógica da proposta, de esclarecer para a vida eterna.
Aliás, surge verdadeiro dilema na proteção dos direitos de exploração dessa obra: a lei em que se apóia tal proteção protege o autor, ou quem tenha deles recebido os direitos, e confere a seus sucessores a exploração exclusiva por um prazo de 75 anos, salvo engano, após a morte do autor. Como Chico Xavier morreu em 2002, até 2077 os detentores dos direitos poderão explorar os livros com exclusividade. Mas há uma inquietante pergunta a se fazer.
Não seria o Chico "mero" medianeiro de recepção desse material? Em verdade o conteúdo não seria de autoria de outras pessoas, já anteriormente falecidas? Pois bem. Parece-me que se há realmente a crença de que Emmanuel e André Luiz, por exemplo, são pessoas que viveram há muitas décadas e que se comunicaram com os encarnados por meio de médiuns, sendo os verdadeiros autores das obras, deveria ao menos haver certo constrangimento em apoiar-se na autoria de Chico Xavier para garantir a exploração exclusiva da obra, publicando-a e impedindo que outras editoras o façam, ou deixando de disponibilizar o conteúdo na Internet.
Ao contrário, se se optar por atribuir a autoria ao próprio Chico, fica renegado o caráter mediúnico da mensagem em troca do direito de explorar a renda das belíssimas histórias.
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