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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Em cada coração, natural é só falar do amor...


(Clique sobre a imagem para ampliar)

Queridos amigos,

Graças ao carinho de todos vocês e à colaboração inestimável e dedicada de companheiros como Roney, Celso, Tim, Vanessa, Sader, Luiz Henrique, João Paulo Lanini e Lucas Alves, 2010 foi um ano muito importante para o "Viajante do Universo".

A impressão é que tudo vem amadurecendo de maneira natural, e isso se comprova pelas quase 50.000 visualizações dos nossos vídeos no Youtube, pelo crescente acesso ao nosso site e pelos gentis convites que recebemos para estar em diversos eventos e casas espíritas.

Foi assim que visitamos, neste ano, Belo Horizonte, Nova Lima/MG, Três Rios, Vila Velha, Uberaba, Cataguases, Leopoldina, Bicas, Itaperuna, Barra Mansa, São Bernardo do Campo, além das atividades realizadas aqui mesmo em Juiz de Fora.

São muitos amigos, novos ou antigos, reais ou virtuais, desses e de muitos outros lugares do Brasil ou do mundo, e a todos vocês oferecemos um abraço apertado e a gratidão pelo carinho com o nosso trabalho.

Nossos votos de Feliz Natal se materializam por meio desse cartão de Natal e da música que oferecemos a seguir, na esperança de seguirmos ampliando nossa sintonia no ideal da arte que espalha o bem.

Clique aqui para ouvir a música "Ele em tudo está", e clique aqui para baixar a cifra.

Feliz Natal e um 2011 cheio de realizações!


P.S.: Em tempo, cabe anotar que na gravação de "Ele em tudo está" estamos cantando eu e a Vanessa, e todo o resto foi elaborado pelo Luiz Henrique. Já o cartão de Natal foi elaborado pelo Lucas.

P.S.2: Para quem não viu o post anterior sobre essa música, segue o link para um vídeo de "Ele em tudo está: http://www.youtube.com/watch?v=gdkH3w2i19U

terça-feira, 16 de novembro de 2010

João Cabete em dose dupla

É muito bom andar por aí com a música "dita" espírita (digo dita, porque sabe lá se existe essa definição).

Muitos se queixam das dificuldades de introduzir a música nas casas espíritas. Alegam obstáculos múltiplos, e quem sabe eventualmente terão razão.

Apesar disso, as coisas hoje parecem muito mais fáceis do que foram para os nossos precurssores. Tim e Vanessa, por exemplo, e às vezes mesmo sem saber, têm aberto mil portas de casas espíritas que, conhecendo seu trabalho, passam a olhar com outros olhos os jovens com seus violões.

Mas fico pensando o que seria da música que fazemos hoje nas casas espíritas sem o trabalho de João Cabete. Desde a década de 1940, salvo engano, ele veio trazendo à lume belíssimas canções que ao longo de todos esses anos tem sido, em vastíssimos casos, as desbravadoras das casas espíritas, mostrando que a formação de um ambiente adequado para nossas atividades pode ser muito favorecida pela música.

É incrível. Sua obra é vastíssima, as músicas de excelente gosto, providas de mensagens absolutamente inspiradas e coerentes com a obra do Cristo. Eu arriscaria dizer que Cabete fez para a música espírita o que o Chico fez pela literautra. Não é àtoa que ele é, e deve continuar sendo, referência de qualidade para o que se faz atualmente.

Para brindar a lembrança desse trabalhador tão dedicado, disponibilizei nou Youtube um vídeo do nosso querido amigo João Paulo Lanini, da cidade de Bicas, interpretando a música "Fim dos Tempos", de João Cabete. Aconteceu na última Mostra de Músicas Espíritas de Leopoldina, que tivemos em setembro último, evento muito gostoso.

Esse momento foi emocionante.

Veja que as pessoas não resistem e começam a cantar em coro, acompanhando o violão, além de aplaudirem efusivamente, ao final. Foi tudo muito bonito, e é por isso que convido-os a ver:



Além disso, ontem vi outro vídeo lindíssimo, também disponível no Youtube. Na edição, sobre o áudio original de Cabete vai entrando um arranjo novo, inlcuindo uma bela voz e uma suave flauta, feitos por netos do nosso menestrel da música espírita. Há ainda fotos antigas do Cabete, enfim, o vídeo é muito bonito:



Ademais, quem não conhece ou quer conhecer mais o trabalho de João Cabete tem muito do que se servir:
Clique aqui para ver uma breve biografia de João Cabete.
Clique aqui para conferir várias de suas músicas em mp3, em versões originais, por ele mesmo.
E clique aqui para baixar um songbook com as cifras de suas músicas.

De nossa parte cumpre apenas estender o nosso abraço carinhoso, fraternal e agradecido àquele que tanto fez pela doutrina e tantos corações acalmou com suas belas canções. Imaginamos que, de onde estiver, deve estar oferecendo inspiração a quantos se dediquem com afinco à divulgação do Espiritismo pela música e à pacificação do homem pelo Espiritismo.

"Vem, Senhor, com teu amor tão profundo
Iluminar consciências e fazer feliz o mundo" - João Cabete

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Meu "camarada" finado

Hoje, 2 de novembro, celebra-se o "Dia dos Finados", ou "Dia dos Fiéis Defuntos".

No seio da tradição católica, a celebração remonta às mortes dos mártires do cristianismo, cuja memória era cultuada pelos seguidores sobreviventes do Cristo, que assim se encorajavam ante as adversidades descortinadas para os crentes da primeira hora.

Mas esse culto não foi exatamente uma novidade. Mesmo os romanos tinham no culto aos antepassados importante prática social (confira clicando aqui). Com essa convicção, fica clara a crença na continuidade da vida após a morte do corpo.

A própria lógica do feriado de finados deriva da crença de que a morte não põe fim à vida. Lembramos as almas afins que nos deixaram porque acreditamos na possibilidade de conexão com elas, direcionando, assim, o nosso respeito, saudade, admiração, lembrança...

Ou seja, a sobrevivência do espírito é ideia largamente aceita, há muitos séculos e pela maioria das crenças. O que Kardec fez, e com maestria, foi sistematizar o entendimento, dar nomes, compreender melhor os fenômenos, e demonstrar que a sobrevivência da alma e a reencarnação, por exemplo, existem para cumprir uma finalidade Divina e obedecem às leis naturais.

A propósito, cabe assinalar que o inglês Thomas More, no livro "Utopia", publicado em 1516, assim narrou sobre Utopia (uma cidade imaginária, centro das narrativas do referido livro, e que seria um local muito melhor do que o que se conhecia na Terra):

"Quase todos os utopianos alimentam a convicção íntima de que uma felicidade imensa aguarda o homem além-túmulo. É por isso que choram pelos doentes e jamais pelos mortos, excetuando o caso em que o moribundo deixa a vida inquieto ou a contragosto."

"Os mortos (...) assistem às conversações dos vivos, ainda que invisíveis ao pequeno alcance dos olhos dos mortais."

"Por conseguinte, segundo as idéias utopianas, os mortos se misturam à sociedade dos vivos e são testemunhas de suas ações e palavras."

Muito bem. Eis a característica da Verdade. Ela será revelada a todo o tempo, por toda a fonte, e retumbará cheia de sentido, dentro de nós.

Assim, nós, que acreditamos na continuidade da vida após a morte, podemos lembrar das almas queridas e já falecidas com especial carinho no dia de hoje. Não cultuamos túmulos, mas lembranças e vida, de quem, não duvidamos, segue vivo em algum outro lugar.

Podemos fazer isso, quem sabe, reverberando os versos da linda música "Camarada", da autoria de Willi de Barros, que às vezes parece reproduzir um dialogo entre nós e aquele nosso camarada já desencarnado, mas que sentimos perto de nós:

"Já não lembro de você
Seu rosto se dissolveu na memória
Mas com te esquecer?
Como não te lembrar dentro do coração?

E quando parti deixei
Tesouros de afeição no caminho
Difícil é descrever
A saudade que vem se me sinto sozinho

Espera, meu amigo, que um dia ainda vou voltar
Às vezes imagino quando é que eu vou te reencontrar, te reencontrar...
Tenho tanto pra te contar do que aprendi aqui
Mas sei que nem preciso porque estás bem aí, perto de mim

Meu amigo do peito, camarada
Amigo do peito, camarada..."

Esa música tem uma belíssima gravação no CD "Tempo Dominó, da nossa amiga Cacau. Para os que não conhecem, fiz o vídeo a seguir. Para baixar a cifra, clique aqui (está um tom abaixo do tom que eu toquei no vídeo).



PS: Fico devendo um post sobre o livro "Utopia" e sua perfeita compatibilidade, ao meu ver, com a Doutrina Espírita.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Liberdade, igualdade e fraternidade

Liberdade, igualdade e fraternidade são os três princípios que melhor sintetizam as aspirações do mundo moderno.

Para alguns, foi a forma laica encontrada para substituir a trindade católica do Pai, do Filho e do Espírito Santo, desde que a sociedade ocidental, para caminhar com pernas do próprio livre-arbítrio, se libertou do jugo de um pretenso Deus exigente e que concedia parcela de seu poder a uns poucos reinóis.

Logo após as Revoluções do século XVIII, predominou o princípio da liberdade, eximindo-se os Estados o quanto possível das intervenções nas sociedades. O excesso de liberdade, porém, deixou duras marcas, emergindo as formas de organização social mais degradantes da dignidade humana até hoje conhecidas, no contexto das Revoluções Industriais, em que o homem explorava o seu igual ao limite extremo.

Tomou corpo no final do século XIX e início do XX, então, uma maneira diferente de pensar, voltada para a discrepância social estabelecida e preocupada com as condições em que estavam lançados os indivíduos, de maneira que os Estados foram instados a interferir na organização humana com vistas a garantir um mínimo existencial a todos, numa tentativa primeira de universalização dos valores básicos como saúde, transporte, alimentação.

Mesmo assim, as sociedades continuaram cambaleantes em sua organização e as monstruosas grandes guerras demonstraram como conceitos corretos, se interpretados equivocadamente, podem conduzir nações inteiras ao despautério e ao desequilíbrio. Ademais, ainda que dentro de uma mesma sociedade, a contraposição das experiências capitalista e socialista permitia entrever o quanto liberdade e igualdade, em última análise, são valores antagônicos, sendo um cerceador do exercício do outro, e restando sempre ao arbítrio dos grupos que liderassem cada país definir uma orientação de maior liberdade, com enormes diferenças sociais, ou de maior igualdade, com o cruel sufocamento das liberdades.

Ambas as experiências extremas, contudo, mostraram - e seguem mostrando - o quanto a liberdade ou a igualdade, sozinhas, carecem de orientação para que possam guiar sem desequilíbrio o curso das experiências de um povo.

Assim, após mais de 2 séculos de fixação sofrida da igualdade e da liberdade, eis que a fraternidade passa com mais vigor a penetrar gradual e profundamente nas organizações humanas, sendo paulatinamente evocada e aplicada na busca de soluções para o "universo" de problemas que o mundo enfrenta.

Valor destinado a dosar os outros dois, cumpre a fraternidade o vital papel de equilibrar, em cada contexto, a conduta adequada, permitindo que igualdade e liberdade sejam elementos em saudável cotejo para o equilíbrio das relações humanas.

A fraternidade consiste no estabelecimento do laço de irmãos entre pessoas que não o são do ponto de vista físico. Pautadas por ela, uns homens estendem seus braços aos outros, doando um pouco de sua liberdade ou de sua igualdade, pois compreendem a necessidade do próximo e se realizam, por meio do princípio fraternal, ao disporem livre e conscientemente do que já possuem em favor dele.

Dos três vértices desse triângulo, a fraternidade ocupa o superior. É responsável por mediar a tensão inevitável entre liberdade e igualdade, e o faz de maneira calma e serena, pois atua para conferir a cada um a condição de enxergar, por si mesmo, a melhor forma de manejar os valores do mundo em função do bem comum.

A pauta axiológica se integra no equilíbrio que apenas a tríade dos valores poderia oferecer, e tudo vai se tornando mais claro à medida que cada um dos princípios sai da posição de exagero. É como se o triângulo fosse deixando, aos poucos, a estranha "formação escalena", rumando ao equilátero inevitável e perfeito.

Juntos e equilibrados, esses três princípios, então, asseguram a dignidade humana e fundamentam o desenvolvimento moral das criaturas, conduzindo os homens a exercitarem o amor no auxílio mútuo a que se lançam, inevitavelmente, como tarefa inescusável dos corações dedicados ao próprio burilamento. Vem à tona, irresistível, a conclusão de que o homem é um fim em si mesmo.

Aguardemos, pois. E sejamos capazes de dar à fraternidade o século que demos à liberdade e à igualdade, e veremos do que ela é capaz.

As transformações oriundas da fraternidade já irradiam em toda a parte, conduzem a toda a gente e, sem que percebamos, já estaremos sendo carregados por ela. Já é assim.

Porque assim mesmo é a fraternidade: uma bandeira que pensamos conduzir, mas que na verdade conduz a todos nós no caminho da harmonia e da felicidade a que estamos - todos - destinados.

Mais cedo ou mais tarde, a depender de nós.

Estamos QUASE lá. Ou de alguma maneira já chegamos?

terça-feira, 13 de julho de 2010

E você, o que tem feito pelo goleiro Bruno?

Nos últimos dias, o crime possivelmente cometido pelo goleiro Bruno, do Flamengo, vem dominando a mídia, as rodas de conversa e nossa atenção de maneira geral.

Parece que já praticamente transferimos a frustração pela perda da Copa para a revolta estabelecida contra esse lamentável fato.


Às vezes brinco com os amigos que o mundo politicamente correto é meio chato. Parece que algumas práticas sociais estão sendo "dominadas" por uma obrigação de sermos conforme determinado padrão estabelecido, o que acaba nos colocando numa prisão dos atos.

É claro que é objetivo de todos nós desenvolvermos as virtudes. Mas compete-nos fazê-lo de maneira compatível com a nossa própria condição, respeitando o que vai dentro de nós mesmos. Tudo assim, degrau por degrau.

Por isso, cabe perguntar: qual estará sendo o ataque energético e espiritual que Bruno e seus amigos estão enfrentando atualmente? Será que algum deles é menos algoz do que nós mesmos, nessa ou noutras vidas? Quem de nós poderá, em sã consciência, arvorar-se em censor das atitudes deles, desconhecendo a integralidade das circunstâncias que cercam suas atitudes?

Frise-se que não há justificativas para o mal, não é disso que cuida a reflexão. Mas o comportamento cristão recomenda, no mínimo, muita vigilância antes de investirmos nosso tempo e pensamento na exaltação do lado negativo da história, na condenação sumária que muitas vezes fazemos das atitudes dos outros.

Sem dúvidas há um outro lado. Ou alguém duvida que Deus ainda está no comando das coisas? Se Ele permitiu que acontecesse esse terrível episódio, é porque o evento traduziu utilidade para o curso das experiências dos espíritos envolvidos, ainda que passando pela fieira do sofrimento, a ser organizada pelo curso das reencarnações.

Gostamos de dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas não seremos nós que lemos limitadamente os desígnios Divinos? Nossa visão é necessariamente parcial, pois pouco conhecemos da história das reencarnações desses espíritos, por isso é muito recomendável prudência ao fazermos qualquer tipo de análise.

Por isso, no aspecto das posturas que adotamos, tudo deve ser sopesado com realidade. Confesso que já ri nos últimos dias da interminável profusão de piadas a rodear o tema. E o pensamento sobre como estamos conduzindo essa situação deve ser visto não como uma questão de sermos politicamente corretos, fechando-nos para nossa realidade e para realidade do mundo, mas, sim, como um exercício ao qual devemos nos lançar quando sentirmos que podemos ajudar. Em outras palavras: tudo bem, estamos aí no mundo, às vezes entramos no clima de piadas menos úteis, às vezes criticamos etc, mas o que podemos fazer para melhorar nossa postura perante situações tão delicadas?

O exercício de sermos mais indulgentes com o próximo nos convida à reflexão profunda sobre se devemos entrar no clamor estabelecido de condenação aos suspeitos de analisar Elisa, que certamente são almas que merece ma nossa sincera compaixão.

Portanto, parece-me muito cabível e recomendável a tentativa de, na medida das nossas capacidades, adotarmos postura mais serena e condizente com os nossos propósitos e princípios cristãos. Ou será que não podemos olhar pro Bruno na TV e reconhecermos um espírito atingido por enormes dificuldades, a reclamar de nós prece e postura mental de compreensão e tolerância?

Feliz de quem conseguiu manter essa postura o tempo todo, e não escarneceu do infortúnio alheio. E sorte nossa se conseguimos, em algum momento, alterar o campo mental e fazermos algo não só pelo Bruno e amigos, mas também por nós mesmos, com a renovação do pensamento.

Compreensão e tolerância serão bem vindas pra nós, pro Bruno e pro mundo, pois, afinal, não fossem a compreensão e a tolerância dos nossos orientadores espirituais e da própria Divindade para conosco e quem sabe sequer estaríamos aqui na Terra de novo, tentando reajustar nossas atitudes.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ainda o futebol e a Lei de Causa e Efeito

Olá, meus caros amigos.

***Antes de mais, um recado: de alguma maneira, esse post é uma continuação do post anterior. Então convido-o a dar uma olhada  no mencionado post, caso se interesse e ainda não o tenha visto, antes de ler este. Assim, as idéias podem parecer menos obtusas.

Resolvi fazer um novo tópico pra repercutir as questões colocadas por vocês sobre Copa do Mundo, Espiritismo e alhures, do tópico anterior, porque o assunto é interessante demais e vai ficar mais bem colocado assim do que apenas em resposta aos comentários.

Aliás, tomando por base as coisas que foram ditas, fico ao menos aliviado por saber que, caso tudo o que dissemos seja pura viagem, não é viagem de um só! Já temos um começo...

O Roney lembrou um episódio muito  interessante sobre o desencarne do Chico, quando ele já havia "anunciado" que sua morte se daria num dia de grande alegria dos brasileiros. E essa situação é daquelas que nos remetem à inquietação de compreender exatamente até onde vai o nosso livre arbítrio...

Mas pensando no esporte de maneira geral, fico pensando: o que leva determinadas pessoas a terem um enorme sucesso nesse campo? E as repercussões que isso traz para as pessoas que estão ao redor?

Vejamos o Ayrton Senna. Quem vai dizer que esse espírito reencarnou sem um propósito específico, voltado para as coisas que realizou? Independentemente das conquistas esportivas, consideradas em si mesmas, mas pensando do ponto de vista dos sentimentos e valores fixados pelos acontecimentos na individualidade das pessoas, penso que podemos inferir a existência de algo bem relevante norteando tais acontecimentos.

Afinal, porque é que certos desportistas, músicos, artisas, políticos, etc possuem tamanho carisma? O que os destaca e os diferencia? Por que se destacam e se diferenciam? E isso será mero acaso?

Penso que não. E acho que a cada um compete utilizar o seu magnetismo de maneira favorável, sendo que podemos observar ótimos exemplos de pessoas que conseguem fazer isso, que espeham virtude em suas vidas pessoais, a par do sucesso específico das carreiras em que se encontram.

Mas eu queria trazer à tona mais um exemplo que envolve nações e futebol. É um exemplo até óbvio, sobre a guerra das Malvinas, que contrapôs Argentina e Reino Unido, no começo da década de 1980.

Em disputa estava um território insular cuja localização georgráfica indicava o natural domínio da Aregntina. Mas o Reino Unido, com seu poderio militar superior, subjugou as forças argentinas, derrotando o país sul-americano e conservando seu domínio nas ilhas Malvinas, que dura até hoje.

Isso foi em 1982. E o que aconteceu na Copa de 1986? Argentina e Inglaterra se enfrentaram pelas quartas-de-final da Copa do Mundo. De todos os confrontos dessa fase, esse foi o único decidido no tempo normal, sem disputa de penaltis.

E o gol que classificou a Argentina foi feito por Maradona, porém com um toque de mão (quem se embra dessa cena?). É o episódio que ficou mundialmente conhecido como "La Mano de Dios".

Uma flagrante "injustiça futebolística" que parece não ter soado como tal pra muita gente, pois o episódio "lavou a alma" não só dos argentinos, mas também de pessoas que consideravam injusto o desfecho da Guerra das Malvinas.

A propósito, após essa etapa a Argentina sagrou-se bi-campeã mundial de futebol. E, pensando mais além, o que o Maradona representa para o povo argentino? Podemos considerar várias de suas posturas inadequadas, mas ele indiscutivelmente possui uma relação com aquele povo que excede em muito aos seus feitos no futebol, e o magnetismo ali estabelecido deve dizer algo muito relevante sobre o passado daquela coletividade e, provavelmente, também sobre o seu futuro.

Enfim, eis aí mais uma possível página escrita na história que pode (e deve) ser lida também com base na consciência que temos da Lei de Causa e Efeito.

E nós, quando conseguiremos fazer com que a nossa visão da vida encare todos os episódios, automaticamente, como eventos que possuem muitos aspectos alheios ao que está registrado na história e ao que é decidido e resolvido no mundo dos encarnados?

E além dos grandes fatos da história, quando teremos essa consciência sobre os acontecimentos das nossas próprias vidas?

domingo, 4 de julho de 2010

E na próxima Copa do Mundo?

A Copa do Mundo nos mobiliza de maneira especial. E conversando por e-mail com a Carol, amiga de São Paulo (e conhecida da maioria dos leitores desse blog, eu creio), ela disse o seguinte:

Falando em "show de bola", fim de Copa para nós, né? Que pena.........! Só daqui 4 anos, com todos mais velinhos!

E me fez pensar muito sobre estarmos mais velhinhos, pois 4 anos é mesmo tempo significativo. É comum que a gente se lembre do que fazia nas Copas, mas às vezes não nos lembramos do que fazíamos há um ano. Eu mesmo me lembro perfeitamente que na Copa de 1994 (sim, 94) eu saia pra jogar bola na rua nos intervalos dos jogos e após eles... são coisas muito marcantes. Lembro até mesmo que na Copa de 1990 eu comi pipoca com queijo na casa de uns primos, durante Brasil e Suécia...

Mas será que pensamos o que podemos e devemos fazer em 4 anos? Dizem (acho que o Bill Gates disse) que temos a tendência de superestimar o que podemos fazer em 1 ano, mas subestimamos o que pensamos poder fazer em 10 anos. E na próxima Copa, como queremos estar?

Quais são as conquistas da vida pessoal, profissional e, principalmente, de valores do nosso espírito que queremos ver em nós mesmos quando o Brasil ficar de cabeça na próxima Copa do Mundo?

Acho que vale pensar o que éramos há 4 anos e fazer um cotejo com o que pretendíamos ser hoje, bem como com o que queremos ser daqui a 4 anos. É um exercício simples mas útil, pois uma vida sem reflexão sobre si mesma é uma vida com menos possibilidades de atingir os fins colimados. E isso vale tanto numa perspectiva individual, das coisas que pretendemos, como do ponto de vista da evolução que procuramos encetar, desde que reconhecemos que essa é a finalidade de nossas reencarnações.

Saindo um pouco desse óbvio, penso também que as Copas traduzem muito mais do que podemos imaginar. As nações se mobilizam e o jogo dos débitos coletivos, quem sabe, encontra nessa ocasião campo fértil pra ajustar a relação entre as nações. Nesse ponto, eu não poderia deixar de fazer uma grande viagem, ainda mais se tratando de futebol, que, como dizem alguns, é a melhor reprodução do modelo de guerras que alimentou as sociedades durante tantos séculos. Ao menos, hoje, há menos mortes.

Vejamos a relação do Brasil com a França. No futebol, somos muito superiores, mas morremos de medo de encontrá-los em Copas, pois eles sempre ganham. O primeiro título mundial deles, aliás, foi graças a nós, e foi a única vez que o Brasil tomou 3 gols num jogo de Copa, sendo 2 gols de cabeça e feitos por um jogador que NUNCA tinha marcado um gol de cabeça na carreira. Isso não pode ser normal ou obra do acaso.

Como se não bastasse, a atuação do Brasil foi abalada por um "piripaque" do Ronaldo, jogador brilhante e que depois veio a se tornar o maior artilheiro da história em Copas do Mundo.

Muito bem. Sabemos que a França era o campo adequado para receber a semente do Espiritismo, mas não para o seu florescimento. Uma vez revelado, o Espiritismo praticamente se extinguiu de seu berço e de todo o velho mundo, deslocando-se para o Brasil. A Europa, aliás, recebeu o Espiritismo da mesma forma como os gregos receberam as pregações de Paulo de Tarso, com ceticismo e indiferença.

Mas há literatura que esclarece ter havido um trabalho direcionado a conduzir não só o Espiritismo, mas também uma vasta legião de espíritos ligados à França e a eventos como a Revolução Francesa e a Noite de São Bartolomeu ao Brasil, para que fosse implantada essa "fase" da Pátria do Evangelho em campo novo e fértil, tudo conforme os objetivos do Evangelho e as necessidades desses e outros espíritos.

Ou seja, afora as conexões que conhecemos registradas na História, há muito mais acontecendo do ponto de vista espiritual, que às vezes nem supomos. Conhecemos uma fatia pequena de tudo, e quem poderá dizer que as emoções desencadeadas com os "meros" espisódios futebolísticos nada têm a ver com tudo isso? Não é pouca coisa.

E, finalizando, vejamos a cidade de Lyon. Foi o berço do Cristianismo nas Gálias, e por lá se desenrolaram importantes espisódios que envolveram, por exemplo, espíritos como Bezerra de Menezes, conforme nos relata Emmanuel em "Ave, Cristo". É uma cidade especial no que respeita à história do Cristianismo Primitivo, que buscamos resgatar com o Espiritismo.

Lyon tem um time de futebol, de mesmo nome. Esse time foi fundado em 1899. Mas apenas em 2002 conquistou um título do campeonato francês, e não foi só um: conquistou 7 títulos consecutivos.

O que aconteceu de diferente com o Lyon a partir de 2002? A contratação de uma legião de jogadores brasileiros, capitaneados por Juninho Pernambucano. Tudo acaso?

Não posso afirmar que isso tudo tem mesmo alguma relação. Mas me parece mais provável que tenha algo a ver do que o contrário. Em todo o caso, fica aí para os "pensadores viajantes" de plantão como eu analisarem se temos aqui apenas digressões inúteis ou reflexões que nos induzem a confirmar a assertiva de Shakespeare de que "Existem mais coisas no céu e na Terra, Horácio, que a tua filosofia jamais sonhou".

E esse "no céu e na Terra" certamente inclui os planos espirituais... Ou não?

PS: Prezada HOLANDA, esperamos que o último jogo Brasil X Holanda tenha sido suficiente para pagarmos por ter expulsado vocês de Pernambuco, mesmo após a grande e humana administração de Maurício de Nassau, no século  XVII. Ou seja, na próxima Copa, estamos livres para ganhar, certo?

PS 2: Se as derrotas para a França em Copas forem "prestações" do "pagamento" pelo Espiritismo, é melhor não trombarmos com eles de novo, porque certamente faltam ainda muitas parcelas. E que São Luís (Governador espiritual da França) não consiga influenciar muito os sorteios dos grupos e o chaveamento das próximas Copas do Mundo...

domingo, 25 de abril de 2010

Jesus, Sócrates e "Neo"

Jesus, Sócrates e "Neo" - ele mesmo, o personagem vivido por Keanu Reeves em Matrix - possuem um traço muito interessante em comum.

Eles dominaram a vida, demonstrando não temer a morte. Em suas diversas missões - reais ou fictícias - eles foram desafiados pelas circunstâncias a insistir em seus pontos de vista frente a grandes obstáculos. E, normalmente, uma idéia muito ousada e diferente, que coloca em cheque as bases sobre as quais se organizam as sociedades, não é bem recebida.

Assim, quando essas sociedades passam a se incomodar, elas tendem a tentar intimidar os portadores dessas novas idéias. E essa intimidação muitas vezes culmina no uso da violência.

Foi dessa forma que a vida de Jesus foi ameaçada. Contudo, ciente de que as idéias renovadoras de que era portador eram inarredáveis e que a lógica da própria existência excedia os limites da vida física, ele não titubeou quando foi colocado à frente daqueles que poderiam tirar sua vida. Pelo contrário, os enfrentou com a mesma lucidez serena e firme de sempre.

"Neo" é um personagem da ficção. E sua história mostra, ao contrário de Jesus, o indivíduo que compreendeu ao longo daquela experiência o que se passava, como era o mundo de verdade, como dominá-lo. Jesus tinha, digamos assim, um domínio pleno e prévio dessas situações. Já o nosso "Neo" teve que se educar na percepção de que poderia, por exemplo, desviar das balas dos revólveres, porque aquilo não era de verdade. Mas quem acreditava que era verdadeiro, morria por elas, porque a mente fazia o corpo reagir dessa maneira.

E o processo de desenvolver a crença pelo qual o "Neo" passa é muito interessante, de modo que podemos até traçar um paralelo sobre a nossa capacidade de aceitar que a vida na Terra é parcial e transitória, tanto quanto o Neo foi tendo que aceitar que o único mundo que ele conhecia não correspondia ao mundo real.

O que eu quero frisar nesse post é que esses três entes, da mesma forma como muitos outros que já estiveram aqui na Terra ou nos planos da ficção, foram confrontados por situações em que apenas dominando a vida puderam deixar suas convicções como legado para a humanidade.

E como se domina a vida? Sabendo e acreditando que a morte não existe. Isso muda o peso das coisas. E não quero com isso sugerir que devemos nos lançar suicídas por aí, pelo contrário. O friso é no sentido de que se enxergamos a nossa vida como um capítulo de um enorme livro que estamos construindo há tempos, a percepção sobre o que foi bom ou foi ruim no curso das experiências comuns pode se modificar.

Enquanto isso, temos aí exemplos e mais exemplos de pessoas que se arriscaram, chegando até mesmo a efetivamente perder suas vidas por isso, pra nos lembrar que existe muito mais além.

Pra não perder a oportunidade do mês de abril, menciono o exemplo de Tiradentes. E pra não esquecer da ficção, a história do "V", do filme V de Vingança.

domingo, 23 de agosto de 2009

Direitos autorais dos espíritos

Tenho muitos livros espíritas. A maioria é de fonte mediúnica e possui como signatários uma dupla: o médium e o autor espiritual.

Em minhas mãos, agora, estou com o livro "Ação e Reação", uma dessas pérolas raras de André Luiz. Tem tudo, como os demais livros do Chico Xavier, pra ser um livro absolutamente diferente dos livros que a literatura mundial disponibiliza: trata dos temas de além-túmulo, narrando uma inimaginável vida no plano espiritual; consubstancia ensinamentos de elevado teor moral, que concitam os homens a agir pensando nas consequencias do que faz, mesmo quando consiga ocultar seus atos dos olhos dos homens; traduz um manual prático de compreensão da lei da reencarnação, traduzindo em prática a vida espiritual que o Consolador afirmou existir.

Mas há uma perspectiva que o torna um livro absolutamente comum, igual a todos os outros, e pelo que ele perde a oportunidade de mostrar ao mundo, também por essa ótica, o quanto é diferente: é que em suas primeiras páginas encontra-se aquela advertência tradicional de que trata-se de uma obra cujos direitos estão reservados ao seu editor, nos termos da lei. Lei dos homens, evocada para proteger os direitos patrimoniais, direitos à matéria, na mesmice em que se organizam as instituições humanas.

Tal obra não é disponibilizada pelos detentores de seus direitos nem mesmo pela Internet. Igualmente, não se vê o livrinho publicado em edições simples a preços módicos, em atitude compatível com a preocupação, que deveria ser precípua, de disseminar um conhecimento que se reputa tão revelador e consolador. Parece existir uma razão a sugerir que a exploração comercial e a renda gerada justificam tais práticas. É uma opção, que talvez não seja a mais coerente com a própria lógica da proposta, de esclarecer para a vida eterna.

Aliás, surge verdadeiro dilema na proteção dos direitos de exploração dessa obra: a lei em que se apóia tal proteção protege o autor, ou quem tenha deles recebido os direitos, e confere a seus sucessores a exploração exclusiva por um prazo de 75 anos, salvo engano, após a morte do autor. Como Chico Xavier morreu em 2002, até 2077 os detentores dos direitos poderão explorar os livros com exclusividade. Mas há uma inquietante pergunta a se fazer.

Não seria o Chico "mero" medianeiro de recepção desse material? Em verdade o conteúdo não seria de autoria de outras pessoas, já anteriormente falecidas? Pois bem. Parece-me que se há realmente a crença de que Emmanuel e André Luiz, por exemplo, são pessoas que viveram há muitas décadas e que se comunicaram com os encarnados por meio de médiuns, sendo os verdadeiros autores das obras, deveria ao menos haver certo constrangimento em apoiar-se na autoria de Chico Xavier para garantir a exploração exclusiva da obra, publicando-a e impedindo que outras editoras o façam, ou deixando de disponibilizar o conteúdo na Internet.

Ao contrário, se se optar por atribuir a autoria ao próprio Chico, fica renegado o caráter mediúnico da mensagem em troca do direito de explorar a renda das belíssimas histórias.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Gato fluídico

Retirado de uma entrevista concedida por Luciano dos Anjos a um site. Vale à pena rir também:

Quais as novidades? Há algum livro novo em perspectiva?
Sobre o movimento espírita (que prossegue com maiúsculas...), às vezes rio, às vezes choro. Por exemplo: num centro aqui do Rio, bem freqüentado e rotulado de kardecista, existe agora um gato fluídico, que permanece na coleira, junto à mesa, enquanto os oradores falam. O médium da casa explicou – e o presidente endossou – que o bichano tem a faculdade de absorver os fluidos negativos do ambiente. Já sugeri, considerando que estamos em temporada febril de hinos espíritas, a elaboração de mais um: Atirei o Pau no Gato. E também que sejam compradas mais duas coleiras, uma para o médium e outra para o presidente, a fim de que não andem soltos por aí.

Essa novidade faz rir. Mas para chorar conto que caminhamos destrambelhados para a total igrejificação. As consciências se deixam dominar com incrível facilidade e as cúpulas (que adoram mandar e dar ordens) fazem o que bem querem. Ninguém pergunta, ninguém contesta, ninguém reage. Os espíritas estão acoelhados e acham que vai tudo muito bem e que, embora seguindo os passos da igreja católica, esse é o caminho. Não percebem que tomaram um atalho cujo fim é o abismo.