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terça-feira, 13 de julho de 2010

E você, o que tem feito pelo goleiro Bruno?

Nos últimos dias, o crime possivelmente cometido pelo goleiro Bruno, do Flamengo, vem dominando a mídia, as rodas de conversa e nossa atenção de maneira geral.

Parece que já praticamente transferimos a frustração pela perda da Copa para a revolta estabelecida contra esse lamentável fato.


Às vezes brinco com os amigos que o mundo politicamente correto é meio chato. Parece que algumas práticas sociais estão sendo "dominadas" por uma obrigação de sermos conforme determinado padrão estabelecido, o que acaba nos colocando numa prisão dos atos.

É claro que é objetivo de todos nós desenvolvermos as virtudes. Mas compete-nos fazê-lo de maneira compatível com a nossa própria condição, respeitando o que vai dentro de nós mesmos. Tudo assim, degrau por degrau.

Por isso, cabe perguntar: qual estará sendo o ataque energético e espiritual que Bruno e seus amigos estão enfrentando atualmente? Será que algum deles é menos algoz do que nós mesmos, nessa ou noutras vidas? Quem de nós poderá, em sã consciência, arvorar-se em censor das atitudes deles, desconhecendo a integralidade das circunstâncias que cercam suas atitudes?

Frise-se que não há justificativas para o mal, não é disso que cuida a reflexão. Mas o comportamento cristão recomenda, no mínimo, muita vigilância antes de investirmos nosso tempo e pensamento na exaltação do lado negativo da história, na condenação sumária que muitas vezes fazemos das atitudes dos outros.

Sem dúvidas há um outro lado. Ou alguém duvida que Deus ainda está no comando das coisas? Se Ele permitiu que acontecesse esse terrível episódio, é porque o evento traduziu utilidade para o curso das experiências dos espíritos envolvidos, ainda que passando pela fieira do sofrimento, a ser organizada pelo curso das reencarnações.

Gostamos de dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas não seremos nós que lemos limitadamente os desígnios Divinos? Nossa visão é necessariamente parcial, pois pouco conhecemos da história das reencarnações desses espíritos, por isso é muito recomendável prudência ao fazermos qualquer tipo de análise.

Por isso, no aspecto das posturas que adotamos, tudo deve ser sopesado com realidade. Confesso que já ri nos últimos dias da interminável profusão de piadas a rodear o tema. E o pensamento sobre como estamos conduzindo essa situação deve ser visto não como uma questão de sermos politicamente corretos, fechando-nos para nossa realidade e para realidade do mundo, mas, sim, como um exercício ao qual devemos nos lançar quando sentirmos que podemos ajudar. Em outras palavras: tudo bem, estamos aí no mundo, às vezes entramos no clima de piadas menos úteis, às vezes criticamos etc, mas o que podemos fazer para melhorar nossa postura perante situações tão delicadas?

O exercício de sermos mais indulgentes com o próximo nos convida à reflexão profunda sobre se devemos entrar no clamor estabelecido de condenação aos suspeitos de analisar Elisa, que certamente são almas que merece ma nossa sincera compaixão.

Portanto, parece-me muito cabível e recomendável a tentativa de, na medida das nossas capacidades, adotarmos postura mais serena e condizente com os nossos propósitos e princípios cristãos. Ou será que não podemos olhar pro Bruno na TV e reconhecermos um espírito atingido por enormes dificuldades, a reclamar de nós prece e postura mental de compreensão e tolerância?

Feliz de quem conseguiu manter essa postura o tempo todo, e não escarneceu do infortúnio alheio. E sorte nossa se conseguimos, em algum momento, alterar o campo mental e fazermos algo não só pelo Bruno e amigos, mas também por nós mesmos, com a renovação do pensamento.

Compreensão e tolerância serão bem vindas pra nós, pro Bruno e pro mundo, pois, afinal, não fossem a compreensão e a tolerância dos nossos orientadores espirituais e da própria Divindade para conosco e quem sabe sequer estaríamos aqui na Terra de novo, tentando reajustar nossas atitudes.