Hoje, 2 de novembro, celebra-se o "Dia dos Finados", ou "Dia dos Fiéis Defuntos".
No seio da tradição católica, a celebração remonta às mortes dos mártires do cristianismo, cuja memória era cultuada pelos seguidores sobreviventes do Cristo, que assim se encorajavam ante as adversidades descortinadas para os crentes da primeira hora.
Mas esse culto não foi exatamente uma novidade. Mesmo os romanos tinham no culto aos antepassados importante prática social (confira clicando aqui). Com essa convicção, fica clara a crença na continuidade da vida após a morte do corpo.
A própria lógica do feriado de finados deriva da crença de que a morte não põe fim à vida. Lembramos as almas afins que nos deixaram porque acreditamos na possibilidade de conexão com elas, direcionando, assim, o nosso respeito, saudade, admiração, lembrança...
Ou seja, a sobrevivência do espírito é ideia largamente aceita, há muitos séculos e pela maioria das crenças. O que Kardec fez, e com maestria, foi sistematizar o entendimento, dar nomes, compreender melhor os fenômenos, e demonstrar que a sobrevivência da alma e a reencarnação, por exemplo, existem para cumprir uma finalidade Divina e obedecem às leis naturais.
A propósito, cabe assinalar que o inglês Thomas More, no livro "Utopia", publicado em 1516, assim narrou sobre Utopia (uma cidade imaginária, centro das narrativas do referido livro, e que seria um local muito melhor do que o que se conhecia na Terra):
"Quase todos os utopianos alimentam a convicção íntima de que uma felicidade imensa aguarda o homem além-túmulo. É por isso que choram pelos doentes e jamais pelos mortos, excetuando o caso em que o moribundo deixa a vida inquieto ou a contragosto."
"Os mortos (...) assistem às conversações dos vivos, ainda que invisíveis ao pequeno alcance dos olhos dos mortais."
"Por conseguinte, segundo as idéias utopianas, os mortos se misturam à sociedade dos vivos e são testemunhas de suas ações e palavras."
Muito bem. Eis a característica da Verdade. Ela será revelada a todo o tempo, por toda a fonte, e retumbará cheia de sentido, dentro de nós.
Assim, nós, que acreditamos na continuidade da vida após a morte, podemos lembrar das almas queridas e já falecidas com especial carinho no dia de hoje. Não cultuamos túmulos, mas lembranças e vida, de quem, não duvidamos, segue vivo em algum outro lugar.
Podemos fazer isso, quem sabe, reverberando os versos da linda música "Camarada", da autoria de Willi de Barros, que às vezes parece reproduzir um dialogo entre nós e aquele nosso camarada já desencarnado, mas que sentimos perto de nós:
"Já não lembro de você
Seu rosto se dissolveu na memória
Mas com te esquecer?
Como não te lembrar dentro do coração?
E quando parti deixei
Tesouros de afeição no caminho
Difícil é descrever
A saudade que vem se me sinto sozinho
Espera, meu amigo, que um dia ainda vou voltar
Às vezes imagino quando é que eu vou te reencontrar, te reencontrar...
Tenho tanto pra te contar do que aprendi aqui
Mas sei que nem preciso porque estás bem aí, perto de mim
Meu amigo do peito, camarada
Amigo do peito, camarada..."
Esa música tem uma belíssima gravação no CD "Tempo Dominó, da nossa amiga Cacau. Para os que não conhecem, fiz o vídeo a seguir. Para baixar a cifra, clique aqui (está um tom abaixo do tom que eu toquei no vídeo).
PS: Fico devendo um post sobre o livro "Utopia" e sua perfeita compatibilidade, ao meu ver, com a Doutrina Espírita.
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terça-feira, 2 de novembro de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
E você, o que tem feito pelo goleiro Bruno?
Nos últimos dias, o crime possivelmente cometido pelo goleiro Bruno, do Flamengo, vem dominando a mídia, as rodas de conversa e nossa atenção de maneira geral.
Parece que já praticamente transferimos a frustração pela perda da Copa para a revolta estabelecida contra esse lamentável fato.
Às vezes brinco com os amigos que o mundo politicamente correto é meio chato. Parece que algumas práticas sociais estão sendo "dominadas" por uma obrigação de sermos conforme determinado padrão estabelecido, o que acaba nos colocando numa prisão dos atos.
É claro que é objetivo de todos nós desenvolvermos as virtudes. Mas compete-nos fazê-lo de maneira compatível com a nossa própria condição, respeitando o que vai dentro de nós mesmos. Tudo assim, degrau por degrau.
Por isso, cabe perguntar: qual estará sendo o ataque energético e espiritual que Bruno e seus amigos estão enfrentando atualmente? Será que algum deles é menos algoz do que nós mesmos, nessa ou noutras vidas? Quem de nós poderá, em sã consciência, arvorar-se em censor das atitudes deles, desconhecendo a integralidade das circunstâncias que cercam suas atitudes?
Frise-se que não há justificativas para o mal, não é disso que cuida a reflexão. Mas o comportamento cristão recomenda, no mínimo, muita vigilância antes de investirmos nosso tempo e pensamento na exaltação do lado negativo da história, na condenação sumária que muitas vezes fazemos das atitudes dos outros.
Sem dúvidas há um outro lado. Ou alguém duvida que Deus ainda está no comando das coisas? Se Ele permitiu que acontecesse esse terrível episódio, é porque o evento traduziu utilidade para o curso das experiências dos espíritos envolvidos, ainda que passando pela fieira do sofrimento, a ser organizada pelo curso das reencarnações.
Gostamos de dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas não seremos nós que lemos limitadamente os desígnios Divinos? Nossa visão é necessariamente parcial, pois pouco conhecemos da história das reencarnações desses espíritos, por isso é muito recomendável prudência ao fazermos qualquer tipo de análise.
Por isso, no aspecto das posturas que adotamos, tudo deve ser sopesado com realidade. Confesso que já ri nos últimos dias da interminável profusão de piadas a rodear o tema. E o pensamento sobre como estamos conduzindo essa situação deve ser visto não como uma questão de sermos politicamente corretos, fechando-nos para nossa realidade e para realidade do mundo, mas, sim, como um exercício ao qual devemos nos lançar quando sentirmos que podemos ajudar. Em outras palavras: tudo bem, estamos aí no mundo, às vezes entramos no clima de piadas menos úteis, às vezes criticamos etc, mas o que podemos fazer para melhorar nossa postura perante situações tão delicadas?
O exercício de sermos mais indulgentes com o próximo nos convida à reflexão profunda sobre se devemos entrar no clamor estabelecido de condenação aos suspeitos de analisar Elisa, que certamente são almas que merece ma nossa sincera compaixão.
Portanto, parece-me muito cabível e recomendável a tentativa de, na medida das nossas capacidades, adotarmos postura mais serena e condizente com os nossos propósitos e princípios cristãos. Ou será que não podemos olhar pro Bruno na TV e reconhecermos um espírito atingido por enormes dificuldades, a reclamar de nós prece e postura mental de compreensão e tolerância?
Feliz de quem conseguiu manter essa postura o tempo todo, e não escarneceu do infortúnio alheio. E sorte nossa se conseguimos, em algum momento, alterar o campo mental e fazermos algo não só pelo Bruno e amigos, mas também por nós mesmos, com a renovação do pensamento.
Compreensão e tolerância serão bem vindas pra nós, pro Bruno e pro mundo, pois, afinal, não fossem a compreensão e a tolerância dos nossos orientadores espirituais e da própria Divindade para conosco e quem sabe sequer estaríamos aqui na Terra de novo, tentando reajustar nossas atitudes.
Parece que já praticamente transferimos a frustração pela perda da Copa para a revolta estabelecida contra esse lamentável fato.
Às vezes brinco com os amigos que o mundo politicamente correto é meio chato. Parece que algumas práticas sociais estão sendo "dominadas" por uma obrigação de sermos conforme determinado padrão estabelecido, o que acaba nos colocando numa prisão dos atos.
É claro que é objetivo de todos nós desenvolvermos as virtudes. Mas compete-nos fazê-lo de maneira compatível com a nossa própria condição, respeitando o que vai dentro de nós mesmos. Tudo assim, degrau por degrau.
Por isso, cabe perguntar: qual estará sendo o ataque energético e espiritual que Bruno e seus amigos estão enfrentando atualmente? Será que algum deles é menos algoz do que nós mesmos, nessa ou noutras vidas? Quem de nós poderá, em sã consciência, arvorar-se em censor das atitudes deles, desconhecendo a integralidade das circunstâncias que cercam suas atitudes?
Frise-se que não há justificativas para o mal, não é disso que cuida a reflexão. Mas o comportamento cristão recomenda, no mínimo, muita vigilância antes de investirmos nosso tempo e pensamento na exaltação do lado negativo da história, na condenação sumária que muitas vezes fazemos das atitudes dos outros.
Sem dúvidas há um outro lado. Ou alguém duvida que Deus ainda está no comando das coisas? Se Ele permitiu que acontecesse esse terrível episódio, é porque o evento traduziu utilidade para o curso das experiências dos espíritos envolvidos, ainda que passando pela fieira do sofrimento, a ser organizada pelo curso das reencarnações.
Gostamos de dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas não seremos nós que lemos limitadamente os desígnios Divinos? Nossa visão é necessariamente parcial, pois pouco conhecemos da história das reencarnações desses espíritos, por isso é muito recomendável prudência ao fazermos qualquer tipo de análise.
Por isso, no aspecto das posturas que adotamos, tudo deve ser sopesado com realidade. Confesso que já ri nos últimos dias da interminável profusão de piadas a rodear o tema. E o pensamento sobre como estamos conduzindo essa situação deve ser visto não como uma questão de sermos politicamente corretos, fechando-nos para nossa realidade e para realidade do mundo, mas, sim, como um exercício ao qual devemos nos lançar quando sentirmos que podemos ajudar. Em outras palavras: tudo bem, estamos aí no mundo, às vezes entramos no clima de piadas menos úteis, às vezes criticamos etc, mas o que podemos fazer para melhorar nossa postura perante situações tão delicadas?
O exercício de sermos mais indulgentes com o próximo nos convida à reflexão profunda sobre se devemos entrar no clamor estabelecido de condenação aos suspeitos de analisar Elisa, que certamente são almas que merece ma nossa sincera compaixão.
Portanto, parece-me muito cabível e recomendável a tentativa de, na medida das nossas capacidades, adotarmos postura mais serena e condizente com os nossos propósitos e princípios cristãos. Ou será que não podemos olhar pro Bruno na TV e reconhecermos um espírito atingido por enormes dificuldades, a reclamar de nós prece e postura mental de compreensão e tolerância?
Feliz de quem conseguiu manter essa postura o tempo todo, e não escarneceu do infortúnio alheio. E sorte nossa se conseguimos, em algum momento, alterar o campo mental e fazermos algo não só pelo Bruno e amigos, mas também por nós mesmos, com a renovação do pensamento.
Compreensão e tolerância serão bem vindas pra nós, pro Bruno e pro mundo, pois, afinal, não fossem a compreensão e a tolerância dos nossos orientadores espirituais e da própria Divindade para conosco e quem sabe sequer estaríamos aqui na Terra de novo, tentando reajustar nossas atitudes.
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