Jesus, Sócrates e "Neo" - ele mesmo, o personagem vivido por Keanu Reeves em Matrix - possuem um traço muito interessante em comum.
Eles dominaram a vida, demonstrando não temer a morte. Em suas diversas missões - reais ou fictícias - eles foram desafiados pelas circunstâncias a insistir em seus pontos de vista frente a grandes obstáculos. E, normalmente, uma idéia muito ousada e diferente, que coloca em cheque as bases sobre as quais se organizam as sociedades, não é bem recebida.
Assim, quando essas sociedades passam a se incomodar, elas tendem a tentar intimidar os portadores dessas novas idéias. E essa intimidação muitas vezes culmina no uso da violência.
Foi dessa forma que a vida de Jesus foi ameaçada. Contudo, ciente de que as idéias renovadoras de que era portador eram inarredáveis e que a lógica da própria existência excedia os limites da vida física, ele não titubeou quando foi colocado à frente daqueles que poderiam tirar sua vida. Pelo contrário, os enfrentou com a mesma lucidez serena e firme de sempre.
"Neo" é um personagem da ficção. E sua história mostra, ao contrário de Jesus, o indivíduo que compreendeu ao longo daquela experiência o que se passava, como era o mundo de verdade, como dominá-lo. Jesus tinha, digamos assim, um domínio pleno e prévio dessas situações. Já o nosso "Neo" teve que se educar na percepção de que poderia, por exemplo, desviar das balas dos revólveres, porque aquilo não era de verdade. Mas quem acreditava que era verdadeiro, morria por elas, porque a mente fazia o corpo reagir dessa maneira.
E o processo de desenvolver a crença pelo qual o "Neo" passa é muito interessante, de modo que podemos até traçar um paralelo sobre a nossa capacidade de aceitar que a vida na Terra é parcial e transitória, tanto quanto o Neo foi tendo que aceitar que o único mundo que ele conhecia não correspondia ao mundo real.
O que eu quero frisar nesse post é que esses três entes, da mesma forma como muitos outros que já estiveram aqui na Terra ou nos planos da ficção, foram confrontados por situações em que apenas dominando a vida puderam deixar suas convicções como legado para a humanidade.
E como se domina a vida? Sabendo e acreditando que a morte não existe. Isso muda o peso das coisas. E não quero com isso sugerir que devemos nos lançar suicídas por aí, pelo contrário. O friso é no sentido de que se enxergamos a nossa vida como um capítulo de um enorme livro que estamos construindo há tempos, a percepção sobre o que foi bom ou foi ruim no curso das experiências comuns pode se modificar.
Enquanto isso, temos aí exemplos e mais exemplos de pessoas que se arriscaram, chegando até mesmo a efetivamente perder suas vidas por isso, pra nos lembrar que existe muito mais além.
Pra não perder a oportunidade do mês de abril, menciono o exemplo de Tiradentes. E pra não esquecer da ficção, a história do "V", do filme V de Vingança.