Queridos amigos,
Atendendo a um pedido, coloquei no youtube um video bem simples da música "Saída", com o violão de frente, que pode ajudar aqueles que queiram aprender a tocar.
Pra quem se interessar, eis o link:
http://www.youtube.com/watch?v=7tCSJoFNkOQ&
Abraços a todos.
Denis
sábado, 30 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Sobre mocidades espíritas
Frequento mocidades espíritas desde 1995. E já me beneficiei muito desse contexto, não só na minha própria mocidade, como em muitas outras que conheci e frequentei, principalmente em Belo Horizonte.
Contudo, a partir dos anos 2002, 2003 em diante, pouco mais ou pouco menos, comecei a observar que várias das mocidades próximas experimentavam fenômeno semelhante: menor envolvimento dos jovens, diminuição do número de frequentadores e diminuição da média de idade dos participantes.
No contato com amigos que frequentavam mocidades em outras partes do Brasil, soube que tal realidade não era exclusiva de Belo Horizonte, ocorrendo em diversas cidades. Claro, havia variações de tempo e de intensidade nesses "sintomas". Mas, em regra, era possível diagnosticar o mesmo fenômeno.
Como consequencia, os próprios encontros de mocidades acabaram por registrar uma modificação no perfil e nos interesses de seus participantes, muitas vezes mais jovens que nos anos anteriores e mais ligados aos encontros em si mesmos do que aos encontros como uma extensão das atividades das mocidades.
Se isso ocorresse em núcleos isolados, poderíamos pensar em explicações locais e específicas. Mas como tudo se reveste de uma certa generalidade, penso que pode-se pensar numa explicação igualmente genérica, que explique ao menos uma parcela dessa dinâmica tão natural e inevitável.
Parece-me que a propagação de mídias e novos meios de entretenimento é a principal explicação. Tudo indica que os jovens se ligam a grupos como as mocidades espíritas muito mais como oportunidade de convívio do que pelo interesse de estudar ou ajudar o próximo. O estudo e o altruísmo costumam ser levados a sério, mas como consequencia da participação na mocidade, e não como pressuposto dela. Em outras palavras: o estudo e a caridade são, para as atividades das mocidades, uma grata extensão, e não a causa primeira de identificação do grupo.
Por isso, acredito que o maior leque de alternativas de comunicação e contato com os "semelhantes" tornou a ida às mocidades espíritas (e quem sabe a outras organizações parecidas) menos necessária, digamos, para muitos jovens. ICQ, chats, MSN, Orkut, Twiter e outras dessas ferramentas dentro de casa permitiram que as lacunas sociais fossem preenchidas de modo mais fácil e até menos trabalhoso.
Quero dizer: o ampliado acesso à Internet pode ser ao menos parte da explicação desses acontecimentos comuns a tantas mocidades.
A propósito, as próprias emissoras de tv justificam a queda de audiência de seus programas de 10 anos pra cá, apesar do aumento da população, com essa realidade das novas mídias, sobretudo as ligadas à Internet.
Os salões dos centros espíritas, por sua vez, não costumam acusar os mesmos sintomas, o que é fácil de entender: é que os "adultos" se estimulam a estarem ali por outros motivos, diferentes desse que costuma impulsionar o hovem, que é mais ligado ao relacionamento social com seus iguais.
Enfim, eis uma tese.
Isso tudo é só uma tentativa de diagnóstico. Efetivamente, as mocidades precisam se reinventar e não me parece haver nada de indigno em se "disputar" a atenção dos jovens para o que acontece dentro delas (mocidades). E isso, é claro, sem pieguismos, de querer justificar a utilidade de estar ali, para os jovens, utilizando-se bordões.
"Fora das mocidades há salvação", e a questão é só de tornar a mocidade uma alternativa suficientemente interessante para chamar a atenção dos jovens, se é que entendemos haver, ali, boas coisas pra se fazer. Afinal, por meio da participação numa mocidade pode ser lançada uma semente fundamental na vida de algum jovem, sobretudo porque após a juventude costuma haver um hiato na busca por uma "espiritualidade", posto que as tribulações de quem está envolto nos estudos, iniciando a carreira profissional e organizando a vida familiar costumam deixar pouco tempo pra esse lado, que é tão importante.
Muitas vezes, apenas quando a vida se organizar melhor, ou quando certos problemas aparecerem, é que essas pessoas "já não tão jovens" procurarão as Casas Espíritas (claro, se essa for a afinidade delas, mas podem ser outras religiões etc). E se tiverem passado pelas mocidades, terão muito mais chances de não resumirem sua participação adulta à assistência de palestras, lançando-se ao trabalho com maior disposição.
Coloco o tema ao conhecimento dos amigos porque sei que ele é comum ao cotidiano de muitos, e porque certamente é possível aperfeiçoarmos nosso trabalho se tivermos em vista um objetivo, em paralelo com uma visão dos possíveis obstáculos.
Uma relevante meta, a meu ver, é o desenvolvimento da espiritualidade no indivíduo. E a dificuldade é o laço tênue que os jovens, principalmente, têm estabelecido com as Casas Espíritas.
Eis o desafio. Quem se habilita?
Contudo, a partir dos anos 2002, 2003 em diante, pouco mais ou pouco menos, comecei a observar que várias das mocidades próximas experimentavam fenômeno semelhante: menor envolvimento dos jovens, diminuição do número de frequentadores e diminuição da média de idade dos participantes.
No contato com amigos que frequentavam mocidades em outras partes do Brasil, soube que tal realidade não era exclusiva de Belo Horizonte, ocorrendo em diversas cidades. Claro, havia variações de tempo e de intensidade nesses "sintomas". Mas, em regra, era possível diagnosticar o mesmo fenômeno.
Como consequencia, os próprios encontros de mocidades acabaram por registrar uma modificação no perfil e nos interesses de seus participantes, muitas vezes mais jovens que nos anos anteriores e mais ligados aos encontros em si mesmos do que aos encontros como uma extensão das atividades das mocidades.
Se isso ocorresse em núcleos isolados, poderíamos pensar em explicações locais e específicas. Mas como tudo se reveste de uma certa generalidade, penso que pode-se pensar numa explicação igualmente genérica, que explique ao menos uma parcela dessa dinâmica tão natural e inevitável.
Parece-me que a propagação de mídias e novos meios de entretenimento é a principal explicação. Tudo indica que os jovens se ligam a grupos como as mocidades espíritas muito mais como oportunidade de convívio do que pelo interesse de estudar ou ajudar o próximo. O estudo e o altruísmo costumam ser levados a sério, mas como consequencia da participação na mocidade, e não como pressuposto dela. Em outras palavras: o estudo e a caridade são, para as atividades das mocidades, uma grata extensão, e não a causa primeira de identificação do grupo.
Por isso, acredito que o maior leque de alternativas de comunicação e contato com os "semelhantes" tornou a ida às mocidades espíritas (e quem sabe a outras organizações parecidas) menos necessária, digamos, para muitos jovens. ICQ, chats, MSN, Orkut, Twiter e outras dessas ferramentas dentro de casa permitiram que as lacunas sociais fossem preenchidas de modo mais fácil e até menos trabalhoso.
Quero dizer: o ampliado acesso à Internet pode ser ao menos parte da explicação desses acontecimentos comuns a tantas mocidades.
A propósito, as próprias emissoras de tv justificam a queda de audiência de seus programas de 10 anos pra cá, apesar do aumento da população, com essa realidade das novas mídias, sobretudo as ligadas à Internet.
Os salões dos centros espíritas, por sua vez, não costumam acusar os mesmos sintomas, o que é fácil de entender: é que os "adultos" se estimulam a estarem ali por outros motivos, diferentes desse que costuma impulsionar o hovem, que é mais ligado ao relacionamento social com seus iguais.
Enfim, eis uma tese.
Isso tudo é só uma tentativa de diagnóstico. Efetivamente, as mocidades precisam se reinventar e não me parece haver nada de indigno em se "disputar" a atenção dos jovens para o que acontece dentro delas (mocidades). E isso, é claro, sem pieguismos, de querer justificar a utilidade de estar ali, para os jovens, utilizando-se bordões.
"Fora das mocidades há salvação", e a questão é só de tornar a mocidade uma alternativa suficientemente interessante para chamar a atenção dos jovens, se é que entendemos haver, ali, boas coisas pra se fazer. Afinal, por meio da participação numa mocidade pode ser lançada uma semente fundamental na vida de algum jovem, sobretudo porque após a juventude costuma haver um hiato na busca por uma "espiritualidade", posto que as tribulações de quem está envolto nos estudos, iniciando a carreira profissional e organizando a vida familiar costumam deixar pouco tempo pra esse lado, que é tão importante.
Muitas vezes, apenas quando a vida se organizar melhor, ou quando certos problemas aparecerem, é que essas pessoas "já não tão jovens" procurarão as Casas Espíritas (claro, se essa for a afinidade delas, mas podem ser outras religiões etc). E se tiverem passado pelas mocidades, terão muito mais chances de não resumirem sua participação adulta à assistência de palestras, lançando-se ao trabalho com maior disposição.
Coloco o tema ao conhecimento dos amigos porque sei que ele é comum ao cotidiano de muitos, e porque certamente é possível aperfeiçoarmos nosso trabalho se tivermos em vista um objetivo, em paralelo com uma visão dos possíveis obstáculos.
Uma relevante meta, a meu ver, é o desenvolvimento da espiritualidade no indivíduo. E a dificuldade é o laço tênue que os jovens, principalmente, têm estabelecido com as Casas Espíritas.
Eis o desafio. Quem se habilita?
Haiti ou "ai de ti"?
Tragédias como a ocorrida nesta semana no Haiti nos conduzem a uma reflexão muito relevante. Terá sido tudo obra do acaso ou por trás desses acontecimentos de amplas consequencias existe um minucioso cálculo, destinado a alguma finalidade específica?
O Presidente dos EUA classificou a tragédia como cruel e incompreensível. Penso que ele tem razão apenas aparente, ao menos se os fatos forem analisados à luz dos entendimentos que desposamos.
Se existe um Deus infinitamente bom e justo, como poderíamos crer que alguma ação cuja origem só pode ser atribuída a Ele - já que a ocorrência de um terremoto foge ao controle do homem - seja uma ação cruel?
Deus, naturalmente, não age com crueldade, mas simplesmente permite a ocorrência de eventos cuja necessidade resulta das ações dos homens. Esses eventos podem até nos parecer cruéis. Mas quando observados no contexto das perspectivas evolutivas, certamente serão vistos como eventos adequados e necessários.
E é exatamente este raciocínio que nos levará ao entendimento da tragédia, que deixa, portanto, de ser incompreensível. Afinal, se existe a lei de causa e efeito, e se ela é efetiva para todos, podemos perceber que a demanda de ajustamento dos espíritos envolvidos em cada acontecimento é explicação e justificativa desses acontecimentos.
O grande problema está no conhecimento da origem dessa necessidade de ajustamento. Há um brocardo que diz que "a pior dor é aquela cuja causa se desconhece". Efetivamente, se desconhecemos a causa de um sofrimento, ele parece injusto.
Mas é aqui que o conhecimento entra. Sabemos que tivemos vivências pretéritas e que muito provavelmente fizemos mais coisas ruins do que boas, pelo que dependeremos de eventos com algum grau de sofrimento para regerenarmos nosso ser. Contudo, nossa realidade evolutiva indica que conhecer o passado - e consequentemente as causas de nossos sofrimentos atuais - é, no momento, mais prejudicial do que benéfico. E por isso somos auxiliados com o que se costuma chamar de "véu do esquecimento", ou seja, o esquecimento das reencarnações anteriores.
Acreditar que todo o sofrimento passado é necessário constitui, ao menos em princípio, um exercício de fé. É ter a efetiva crença de que algo realmente bom e justo rege o universo e não permite que ocorram acontecimentos desnecessários ou injustos.
Afinal, ou esse Deus é perfeito e consegue fazer "cálculos" igualmente perfeitos e que permitem que vivemos precisamente aquilo o de que necessitamos, ou não cremos num Deus realmente adaptado ao conceito que damos a Ele, de soberana bondade e amor, um Deus onisciente e onipotente.
No caso específico do Haiti, ainda que sigamos beneficiados pelo esquecimento do passado, podemos supor que as marcas de sofrimento que esse país carrega sugerem que ali está reunido um grupo de espíritos cujos débitos recíprocos indicam a necessidade de que o reajustamento se dê pela dor coletiva, surgindo a dificuldade como exercício de convívio e crescimento moral.
Quem sabe estão envoltos nas dores de hoje aqueles que dizimaram os habitantes nativos quando da conquista daquelas terras pelos europeus. Ou quem sabe se encontram ali os mesmos que no passado lutaram uns contra os outros, na busca da dominação política.
O que importa é que mesmo após uma tragédia dessas o céu continua azul. E a esperança no futuro melhor é, e sempre será, a mais perfeita saída pra se tentar a reconstrução, não só de um país em ruínas, mas principalmente dos próprios espíritos ali reencarnados. A esperança, então, quando impulsionada pela solidariedade, parece resultar em incríveis benefícios para os espíritos.
Os haitianos - como nós -, são convidados ao desenvolvimento moral também por meio das dores que dilaceram o ser. A reconstrução da estrutura física parece ser, no momento, o mecanismo que convida à reconstrução moral.
Vige, no Universo, a soberania do amor. Mas como se trata de um amor efetivo, ele não se notabiliza por nos dar tudo o que elegemos como bom. Deus nos confere, em verdade, exatamente aquilo de que necessitamos para triunfarmos sobre nós mesmos, alcançando o crescimento que justifica a senda dos espíritos encarnados na Terra.
O Presidente dos EUA classificou a tragédia como cruel e incompreensível. Penso que ele tem razão apenas aparente, ao menos se os fatos forem analisados à luz dos entendimentos que desposamos.
Se existe um Deus infinitamente bom e justo, como poderíamos crer que alguma ação cuja origem só pode ser atribuída a Ele - já que a ocorrência de um terremoto foge ao controle do homem - seja uma ação cruel?
Deus, naturalmente, não age com crueldade, mas simplesmente permite a ocorrência de eventos cuja necessidade resulta das ações dos homens. Esses eventos podem até nos parecer cruéis. Mas quando observados no contexto das perspectivas evolutivas, certamente serão vistos como eventos adequados e necessários.
E é exatamente este raciocínio que nos levará ao entendimento da tragédia, que deixa, portanto, de ser incompreensível. Afinal, se existe a lei de causa e efeito, e se ela é efetiva para todos, podemos perceber que a demanda de ajustamento dos espíritos envolvidos em cada acontecimento é explicação e justificativa desses acontecimentos.
O grande problema está no conhecimento da origem dessa necessidade de ajustamento. Há um brocardo que diz que "a pior dor é aquela cuja causa se desconhece". Efetivamente, se desconhecemos a causa de um sofrimento, ele parece injusto.
Mas é aqui que o conhecimento entra. Sabemos que tivemos vivências pretéritas e que muito provavelmente fizemos mais coisas ruins do que boas, pelo que dependeremos de eventos com algum grau de sofrimento para regerenarmos nosso ser. Contudo, nossa realidade evolutiva indica que conhecer o passado - e consequentemente as causas de nossos sofrimentos atuais - é, no momento, mais prejudicial do que benéfico. E por isso somos auxiliados com o que se costuma chamar de "véu do esquecimento", ou seja, o esquecimento das reencarnações anteriores.
Acreditar que todo o sofrimento passado é necessário constitui, ao menos em princípio, um exercício de fé. É ter a efetiva crença de que algo realmente bom e justo rege o universo e não permite que ocorram acontecimentos desnecessários ou injustos.
Afinal, ou esse Deus é perfeito e consegue fazer "cálculos" igualmente perfeitos e que permitem que vivemos precisamente aquilo o de que necessitamos, ou não cremos num Deus realmente adaptado ao conceito que damos a Ele, de soberana bondade e amor, um Deus onisciente e onipotente.
No caso específico do Haiti, ainda que sigamos beneficiados pelo esquecimento do passado, podemos supor que as marcas de sofrimento que esse país carrega sugerem que ali está reunido um grupo de espíritos cujos débitos recíprocos indicam a necessidade de que o reajustamento se dê pela dor coletiva, surgindo a dificuldade como exercício de convívio e crescimento moral.
Quem sabe estão envoltos nas dores de hoje aqueles que dizimaram os habitantes nativos quando da conquista daquelas terras pelos europeus. Ou quem sabe se encontram ali os mesmos que no passado lutaram uns contra os outros, na busca da dominação política.
O que importa é que mesmo após uma tragédia dessas o céu continua azul. E a esperança no futuro melhor é, e sempre será, a mais perfeita saída pra se tentar a reconstrução, não só de um país em ruínas, mas principalmente dos próprios espíritos ali reencarnados. A esperança, então, quando impulsionada pela solidariedade, parece resultar em incríveis benefícios para os espíritos.
Os haitianos - como nós -, são convidados ao desenvolvimento moral também por meio das dores que dilaceram o ser. A reconstrução da estrutura física parece ser, no momento, o mecanismo que convida à reconstrução moral.
Vige, no Universo, a soberania do amor. Mas como se trata de um amor efetivo, ele não se notabiliza por nos dar tudo o que elegemos como bom. Deus nos confere, em verdade, exatamente aquilo de que necessitamos para triunfarmos sobre nós mesmos, alcançando o crescimento que justifica a senda dos espíritos encarnados na Terra.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
E se alguém orasse por você?
Como a principal característica desse nosso mundo é que "aqui tem de tudo", transcrevo a seguir reportagem que descreve uma das novas bizarrices tecnológicas disponíveis: um site que coloca um computador pra rezar por você, por um preço em conta!
Sem maios comentários, pois a reportagem é auto-explicativa...
12/10/2009 - 07h00
Criador do site que "reza por você" admite que "infelizmente" não ora com frequência
Bárbara Paludeti
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Com a correria do dia-a-dia, até os mais fervorosos fiéis ficam sem tempo de rezar ou mesmo esquecem. Em tempos de Twitter e Facebook, o computador pode ser um aliado para a prece diária. Para ninguém ficar com remorso porque deixou a oração de todos os dias passar, um norte-americano de Boston resolveu criar o Information Age Prayer - em tradução livre, Sistema de Oração na Era da Informação - algo como uma "prece eletrônica".
Pelo site do serviço, o internauta se cadastra, vira assinante, paga uma taxa mensal, e o computador reza por ele. Se você, internauta, achou essa história curiosa, não foi o único. Por isso, o UOL Notícias foi atrás do criador do site para entender como isso funciona.
"O Information Age Prayer é um novo e excitante caminho de se comunicar com Deus", explica o fundador James Mcarlos, 23, estudante de psicologia, em entrevista ao UOL Notícias. O idealizador do sistema admite que não reza com frequência e foi o primeiro a assinar o serviço.
Segundo Mcarlos, o site já recebeu visitas de pessoas de 168 países, ele ainda acrescenta que a maioria dos internautas brasileiros que acessam o site são de São Paulo. Das orações mais pedidas pelo sistema, 30% são para os filhos, 15% prece por ajuda financeira e 10% a Ave Maria.
Veja a entrevista que Mcarlos concedeu ao UOL Notícias:
Filósofo analisa
Para o coordenador do curso de filosofia da Universidade Metodista de São Paulo, Daniel Pansarelli, que é ateu, a ideia do site mostra o descompromisso das pessoas com o divino, o sagrado
UOL Notícias - Qual a sua religião?
James Mcarlos - Sou espiritual, mas não pertenço a um grupo religioso em particular.
UOL Notícias - Como o serviço funciona? Você pode explicar?
Mcarlos - O Information Age Prayer é um serviço de assinatura que usa um computador com capacidade de repetir as suas preces todo dia. Isso dá a satisfação de saber que as suas orações estão sempre sendo ditas, mesmo que você acorde atrasado ou as esqueça.
Nós usamos um sintetizador de voz no computador que imita a voz de uma pessoa como se ela estivesse rezando. Cada oração é repetida individualmente, com o nome do fiel exibido na tela.
UOL Notícias - O sr. acha que tem o mesmo poder quando um computador está rezando por você?
Mcarlos - Nós achamos que nosso serviço do Information Age Prayer deve ser usado mais como um complemento das suas orações, para aumentar e reforçar a ligação do assinante com Deus. A oração tradicional é uma parte importante dessa conexão e nunca deve ser esquecida, mesmo depois de se inscrever no sistema.
Como em toda oração, os resultados são de acordo com a vontade de Deus. Nós não fazemos reivindicação sobre a eficácia do serviço, no entanto, a nossa opinião é que o onisciente Deus ouve as orações quando elas são repetidas, assim como Ele ouve tudo na Terra. Ele sabe exatamente quem se inscreveu e de quem é aquela prece quando o nome é mostrado na tela do computador e a prece é falada. Deus também está ciente de todas as doações de cada assinante para a caridade.
UOL Notícias - A voz do computador é a mesma para todos, seja homem ou mulher?
Mcarlos - As orações são geralmente ditas com uma voz masculina, ainda não fomos capazes de atender a pedidos especiais de uma voz feminina para os nossos assinantes. Essa é uma outra opção que esperamos dar aos nossos clientes no futuro.
UOL Notícias - Quais os assuntos que são mais recorrentes?
Mcarlos - Muitas pessoas compram preces para ajudar seus amigos financeiramente. Uma oração bastante popular é pelos filhos, as pessoas costumam se inscrever e pedir preces separadas para cada filho.
UOL Notícias - Quantas orações são ditas por dia?
Mcarlos - Nós não divulgamos o número total de orações, mas esperamos aumentá-lo para uma grande quantidade quanto tivermos capacidade de oferecer mais orações grátis para todos.
UOL Notícias - Vocês atendem só católicos, judeus, protestantes e muçulmanos. Por que só essas quatro religiões?
Mcarlos - Esperamos expandir nossos serviços para ajudar mais pessoas. Esperamos também incluir mais preces grátis em um futuro próximo, se você tiver alguma sugestão, me mande um e-mail.
UOL Notícias - As pessoas podem pedir uma prece personalizada?
Mcarlos - Tivemos alguns pedidos de preces personalizadas, mas ainda não fomos capazes de conseguir este feito.
UOL Notícias - Alguns ateus já pagaram para que o computador rezasse por eles?
Mcarlos - A religião dos nossos assinantes é particular, mas nós temos tido um grande número de orações comprados de uma pessoa pedindo por outra. Sendo assim, presumimos que muitas dessas pessoas podem ser ateus com parentes religiosos.
UOL Notícias - O sr. já recebeu reclamações de pessoas que tenham contratado seus serviços? Ou de religiosos por estarem, supostamente, indo contra a religião que diz que a prece é algo pessoal?
Mcarlos - Todos os nossos assinantes estão felizes com os resultados, mas temos recebido alguns comentários negativos de outros. Não achamos que nosso serviço é para todos, mas estamos contentes de fornecê-lo para quem precisa.
UOL Notícias - Em que é diferente a venda de indulgências da Idade Média das preces pagas?
Mcarlos - Information Age Prayer não é uma venda de indulgências. Nós estamos simplesmente oferecendo um serviço e os resultados finais dizem respeito a Deus e aos nossos assinantes. Enquanto a maioria das empresas doa só uma pequena parte dos lucros para a caridade, o Information Age Prayer doa 10% de toda a receita para a caridade. Estamos trabalhando para oferecer um serviço completamente gratuito em quem as pessoas poderão ter suas orações repetidas sem ter que pagar uma taxa.
UOL Notícias - O sr. reza, ou também usa o computador para rezar pelo senhor?
Mcarlos - Infelizmente eu não rezo muito e fui o primeiro assinante do Information Age Prayer.
Sem maios comentários, pois a reportagem é auto-explicativa...
12/10/2009 - 07h00
Criador do site que "reza por você" admite que "infelizmente" não ora com frequência
Bárbara Paludeti
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Com a correria do dia-a-dia, até os mais fervorosos fiéis ficam sem tempo de rezar ou mesmo esquecem. Em tempos de Twitter e Facebook, o computador pode ser um aliado para a prece diária. Para ninguém ficar com remorso porque deixou a oração de todos os dias passar, um norte-americano de Boston resolveu criar o Information Age Prayer - em tradução livre, Sistema de Oração na Era da Informação - algo como uma "prece eletrônica".
Pelo site do serviço, o internauta se cadastra, vira assinante, paga uma taxa mensal, e o computador reza por ele. Se você, internauta, achou essa história curiosa, não foi o único. Por isso, o UOL Notícias foi atrás do criador do site para entender como isso funciona.
"O Information Age Prayer é um novo e excitante caminho de se comunicar com Deus", explica o fundador James Mcarlos, 23, estudante de psicologia, em entrevista ao UOL Notícias. O idealizador do sistema admite que não reza com frequência e foi o primeiro a assinar o serviço.
Segundo Mcarlos, o site já recebeu visitas de pessoas de 168 países, ele ainda acrescenta que a maioria dos internautas brasileiros que acessam o site são de São Paulo. Das orações mais pedidas pelo sistema, 30% são para os filhos, 15% prece por ajuda financeira e 10% a Ave Maria.
Veja a entrevista que Mcarlos concedeu ao UOL Notícias:
Filósofo analisa
Para o coordenador do curso de filosofia da Universidade Metodista de São Paulo, Daniel Pansarelli, que é ateu, a ideia do site mostra o descompromisso das pessoas com o divino, o sagrado
UOL Notícias - Qual a sua religião?
James Mcarlos - Sou espiritual, mas não pertenço a um grupo religioso em particular.
UOL Notícias - Como o serviço funciona? Você pode explicar?
Mcarlos - O Information Age Prayer é um serviço de assinatura que usa um computador com capacidade de repetir as suas preces todo dia. Isso dá a satisfação de saber que as suas orações estão sempre sendo ditas, mesmo que você acorde atrasado ou as esqueça.
Nós usamos um sintetizador de voz no computador que imita a voz de uma pessoa como se ela estivesse rezando. Cada oração é repetida individualmente, com o nome do fiel exibido na tela.
UOL Notícias - O sr. acha que tem o mesmo poder quando um computador está rezando por você?
Mcarlos - Nós achamos que nosso serviço do Information Age Prayer deve ser usado mais como um complemento das suas orações, para aumentar e reforçar a ligação do assinante com Deus. A oração tradicional é uma parte importante dessa conexão e nunca deve ser esquecida, mesmo depois de se inscrever no sistema.
Como em toda oração, os resultados são de acordo com a vontade de Deus. Nós não fazemos reivindicação sobre a eficácia do serviço, no entanto, a nossa opinião é que o onisciente Deus ouve as orações quando elas são repetidas, assim como Ele ouve tudo na Terra. Ele sabe exatamente quem se inscreveu e de quem é aquela prece quando o nome é mostrado na tela do computador e a prece é falada. Deus também está ciente de todas as doações de cada assinante para a caridade.
UOL Notícias - A voz do computador é a mesma para todos, seja homem ou mulher?
Mcarlos - As orações são geralmente ditas com uma voz masculina, ainda não fomos capazes de atender a pedidos especiais de uma voz feminina para os nossos assinantes. Essa é uma outra opção que esperamos dar aos nossos clientes no futuro.
UOL Notícias - Quais os assuntos que são mais recorrentes?
Mcarlos - Muitas pessoas compram preces para ajudar seus amigos financeiramente. Uma oração bastante popular é pelos filhos, as pessoas costumam se inscrever e pedir preces separadas para cada filho.
UOL Notícias - Quantas orações são ditas por dia?
Mcarlos - Nós não divulgamos o número total de orações, mas esperamos aumentá-lo para uma grande quantidade quanto tivermos capacidade de oferecer mais orações grátis para todos.
UOL Notícias - Vocês atendem só católicos, judeus, protestantes e muçulmanos. Por que só essas quatro religiões?
Mcarlos - Esperamos expandir nossos serviços para ajudar mais pessoas. Esperamos também incluir mais preces grátis em um futuro próximo, se você tiver alguma sugestão, me mande um e-mail.
UOL Notícias - As pessoas podem pedir uma prece personalizada?
Mcarlos - Tivemos alguns pedidos de preces personalizadas, mas ainda não fomos capazes de conseguir este feito.
UOL Notícias - Alguns ateus já pagaram para que o computador rezasse por eles?
Mcarlos - A religião dos nossos assinantes é particular, mas nós temos tido um grande número de orações comprados de uma pessoa pedindo por outra. Sendo assim, presumimos que muitas dessas pessoas podem ser ateus com parentes religiosos.
UOL Notícias - O sr. já recebeu reclamações de pessoas que tenham contratado seus serviços? Ou de religiosos por estarem, supostamente, indo contra a religião que diz que a prece é algo pessoal?
Mcarlos - Todos os nossos assinantes estão felizes com os resultados, mas temos recebido alguns comentários negativos de outros. Não achamos que nosso serviço é para todos, mas estamos contentes de fornecê-lo para quem precisa.
UOL Notícias - Em que é diferente a venda de indulgências da Idade Média das preces pagas?
Mcarlos - Information Age Prayer não é uma venda de indulgências. Nós estamos simplesmente oferecendo um serviço e os resultados finais dizem respeito a Deus e aos nossos assinantes. Enquanto a maioria das empresas doa só uma pequena parte dos lucros para a caridade, o Information Age Prayer doa 10% de toda a receita para a caridade. Estamos trabalhando para oferecer um serviço completamente gratuito em quem as pessoas poderão ter suas orações repetidas sem ter que pagar uma taxa.
UOL Notícias - O sr. reza, ou também usa o computador para rezar pelo senhor?
Mcarlos - Infelizmente eu não rezo muito e fui o primeiro assinante do Information Age Prayer.
domingo, 20 de setembro de 2009
Caridade: estrela da TV
Atualmente é quase certo. Muitos programas, notadamente aqueles de auditório, adotaram a caridade como prática recorrente.
Há quadros em que se reformam casas ou estabelecimentos comerciais de gente pobre; carros semi-destruídos são convertidos em admiráveis obras de engenharia; pessoas que estão distantes de suas famílias são reconduzidas aos seus locais de origem em emocionantes histórias; táxis "falsos" são transformados em ocasiões para que se conheçam necessidades de pessoas comuns, eventualmente supridas a seguir; "princesas" são convidadas a passar um dia completamente distantes de suas realidades, num conto de fadas moderno (tem gosto pra todo tipo de "príncipe encantado"...).
A primeira análise não costuma se equivocar: fazer o bem é sempre algo digno e deve ser incentivado, aplaudido. A premissa, a princípio, não é falsa.
Contudo, a reflexão proponho respeita à ordem das coisas: temos nessas experiências uma efetiva caridade que estava sendo realizada e que está sendo levada à televisão, ou temos simplesmente um fenômeno em que a caridade ficou "pop"? Se ficou "pop", isso ocorreu porque dá audiência e lucro à TV? E pergunta-se, ainda: essas pessoas estariam sendo auxiliadas se suas histórias não fossem garantias de boa audiência e lucros comerciais?
Creio que muitos dirão: sim, há lucros. Mas e daí? Não se fez o bem? Isso é o que importa!
Tal ponto de vista, contudo, não me convence. A razão é que a ordem altera - e muito - a essência das coisas. Os apresentadores que se arvoram em beneméritos realizadores constróem ganhos astronômicos sobre suas "ajudas". Com elas, bancam seus aviões particulares, seus carrões, suas mansões, seus relógios de ouro, seus exageros, prestígio...
Jesus fez importantes comentários em torno da caridade. Num deles, advertiu que uma mão não deveria saber o que a outra fez, numa clara alusão de que o bem real é coberto pelo manto da discrição e da realidade íntima. Ora, o magistério de Jesus é de substância, e não de forma; de conteúdo, e não de exterioridades.
E, afinal, qual será o efetivo ganho que essas ações pontuais promovem? Ao retirar-se uma família de uma casa que é verdadeiro escombro e alojá-la numa moderna e confortável residência, quais são as consequências? Não discuto o merecimento daqueles que são atingidos por esses aparentes benefícios, pois Deus não erra e não permite que erremos para além de um certo limite. Mas alcançam-se só bons resultados?
O que não consigo é deixar de refletir sobre como os sábados e domingos se transformaram em dias de histórias comoventes, quase iguais, que acionam a participação de milionários patrocinadores em torno da emoção de pessoas comuns e sofridas. Todos aqueles que, vidrados, sonham que um dia aquela ajuda seja dada a eles mesmos tem, assim, ao menos duas funções: ser audiência que torna o investimento compensador e compor o enorme exército de reserva de histórias tristes a serem exploradas...
Critica-se comumente - e não sem razão - a idéia de que os fins justificariam os meios. Agora a coisa ficou ainda melhor para os adeptos da idéia de Maquiavel: os verdadeiros fins não precisam ser vistos, pois foram encontrados ótimos meios para se passar por fins.
Não deve durar muito tempo. Quem sabe daqui a alguns anos ver a caridade fácil e estrondosa na TV sai de moda. Aqueles que hoje a praticam não devem se constranger ao abandonar a fórmula, trocando-a pela mais rentável da vez.
Jesus alertou que haveria falsos profetas e disse que eles realizariam prodígios. Mas tais prodígios, não hão de durar. Então... siga tais profetas quem quiser.
Há quadros em que se reformam casas ou estabelecimentos comerciais de gente pobre; carros semi-destruídos são convertidos em admiráveis obras de engenharia; pessoas que estão distantes de suas famílias são reconduzidas aos seus locais de origem em emocionantes histórias; táxis "falsos" são transformados em ocasiões para que se conheçam necessidades de pessoas comuns, eventualmente supridas a seguir; "princesas" são convidadas a passar um dia completamente distantes de suas realidades, num conto de fadas moderno (tem gosto pra todo tipo de "príncipe encantado"...).
A primeira análise não costuma se equivocar: fazer o bem é sempre algo digno e deve ser incentivado, aplaudido. A premissa, a princípio, não é falsa.
Contudo, a reflexão proponho respeita à ordem das coisas: temos nessas experiências uma efetiva caridade que estava sendo realizada e que está sendo levada à televisão, ou temos simplesmente um fenômeno em que a caridade ficou "pop"? Se ficou "pop", isso ocorreu porque dá audiência e lucro à TV? E pergunta-se, ainda: essas pessoas estariam sendo auxiliadas se suas histórias não fossem garantias de boa audiência e lucros comerciais?
Creio que muitos dirão: sim, há lucros. Mas e daí? Não se fez o bem? Isso é o que importa!
Tal ponto de vista, contudo, não me convence. A razão é que a ordem altera - e muito - a essência das coisas. Os apresentadores que se arvoram em beneméritos realizadores constróem ganhos astronômicos sobre suas "ajudas". Com elas, bancam seus aviões particulares, seus carrões, suas mansões, seus relógios de ouro, seus exageros, prestígio...
Jesus fez importantes comentários em torno da caridade. Num deles, advertiu que uma mão não deveria saber o que a outra fez, numa clara alusão de que o bem real é coberto pelo manto da discrição e da realidade íntima. Ora, o magistério de Jesus é de substância, e não de forma; de conteúdo, e não de exterioridades.
E, afinal, qual será o efetivo ganho que essas ações pontuais promovem? Ao retirar-se uma família de uma casa que é verdadeiro escombro e alojá-la numa moderna e confortável residência, quais são as consequências? Não discuto o merecimento daqueles que são atingidos por esses aparentes benefícios, pois Deus não erra e não permite que erremos para além de um certo limite. Mas alcançam-se só bons resultados?
O que não consigo é deixar de refletir sobre como os sábados e domingos se transformaram em dias de histórias comoventes, quase iguais, que acionam a participação de milionários patrocinadores em torno da emoção de pessoas comuns e sofridas. Todos aqueles que, vidrados, sonham que um dia aquela ajuda seja dada a eles mesmos tem, assim, ao menos duas funções: ser audiência que torna o investimento compensador e compor o enorme exército de reserva de histórias tristes a serem exploradas...
Critica-se comumente - e não sem razão - a idéia de que os fins justificariam os meios. Agora a coisa ficou ainda melhor para os adeptos da idéia de Maquiavel: os verdadeiros fins não precisam ser vistos, pois foram encontrados ótimos meios para se passar por fins.
Não deve durar muito tempo. Quem sabe daqui a alguns anos ver a caridade fácil e estrondosa na TV sai de moda. Aqueles que hoje a praticam não devem se constranger ao abandonar a fórmula, trocando-a pela mais rentável da vez.
Jesus alertou que haveria falsos profetas e disse que eles realizariam prodígios. Mas tais prodígios, não hão de durar. Então... siga tais profetas quem quiser.
domingo, 23 de agosto de 2009
Direitos autorais dos espíritos
Tenho muitos livros espíritas. A maioria é de fonte mediúnica e possui como signatários uma dupla: o médium e o autor espiritual.
Em minhas mãos, agora, estou com o livro "Ação e Reação", uma dessas pérolas raras de André Luiz. Tem tudo, como os demais livros do Chico Xavier, pra ser um livro absolutamente diferente dos livros que a literatura mundial disponibiliza: trata dos temas de além-túmulo, narrando uma inimaginável vida no plano espiritual; consubstancia ensinamentos de elevado teor moral, que concitam os homens a agir pensando nas consequencias do que faz, mesmo quando consiga ocultar seus atos dos olhos dos homens; traduz um manual prático de compreensão da lei da reencarnação, traduzindo em prática a vida espiritual que o Consolador afirmou existir.
Mas há uma perspectiva que o torna um livro absolutamente comum, igual a todos os outros, e pelo que ele perde a oportunidade de mostrar ao mundo, também por essa ótica, o quanto é diferente: é que em suas primeiras páginas encontra-se aquela advertência tradicional de que trata-se de uma obra cujos direitos estão reservados ao seu editor, nos termos da lei. Lei dos homens, evocada para proteger os direitos patrimoniais, direitos à matéria, na mesmice em que se organizam as instituições humanas.
Tal obra não é disponibilizada pelos detentores de seus direitos nem mesmo pela Internet. Igualmente, não se vê o livrinho publicado em edições simples a preços módicos, em atitude compatível com a preocupação, que deveria ser precípua, de disseminar um conhecimento que se reputa tão revelador e consolador. Parece existir uma razão a sugerir que a exploração comercial e a renda gerada justificam tais práticas. É uma opção, que talvez não seja a mais coerente com a própria lógica da proposta, de esclarecer para a vida eterna.
Aliás, surge verdadeiro dilema na proteção dos direitos de exploração dessa obra: a lei em que se apóia tal proteção protege o autor, ou quem tenha deles recebido os direitos, e confere a seus sucessores a exploração exclusiva por um prazo de 75 anos, salvo engano, após a morte do autor. Como Chico Xavier morreu em 2002, até 2077 os detentores dos direitos poderão explorar os livros com exclusividade. Mas há uma inquietante pergunta a se fazer.
Não seria o Chico "mero" medianeiro de recepção desse material? Em verdade o conteúdo não seria de autoria de outras pessoas, já anteriormente falecidas? Pois bem. Parece-me que se há realmente a crença de que Emmanuel e André Luiz, por exemplo, são pessoas que viveram há muitas décadas e que se comunicaram com os encarnados por meio de médiuns, sendo os verdadeiros autores das obras, deveria ao menos haver certo constrangimento em apoiar-se na autoria de Chico Xavier para garantir a exploração exclusiva da obra, publicando-a e impedindo que outras editoras o façam, ou deixando de disponibilizar o conteúdo na Internet.
Ao contrário, se se optar por atribuir a autoria ao próprio Chico, fica renegado o caráter mediúnico da mensagem em troca do direito de explorar a renda das belíssimas histórias.
Em minhas mãos, agora, estou com o livro "Ação e Reação", uma dessas pérolas raras de André Luiz. Tem tudo, como os demais livros do Chico Xavier, pra ser um livro absolutamente diferente dos livros que a literatura mundial disponibiliza: trata dos temas de além-túmulo, narrando uma inimaginável vida no plano espiritual; consubstancia ensinamentos de elevado teor moral, que concitam os homens a agir pensando nas consequencias do que faz, mesmo quando consiga ocultar seus atos dos olhos dos homens; traduz um manual prático de compreensão da lei da reencarnação, traduzindo em prática a vida espiritual que o Consolador afirmou existir.
Mas há uma perspectiva que o torna um livro absolutamente comum, igual a todos os outros, e pelo que ele perde a oportunidade de mostrar ao mundo, também por essa ótica, o quanto é diferente: é que em suas primeiras páginas encontra-se aquela advertência tradicional de que trata-se de uma obra cujos direitos estão reservados ao seu editor, nos termos da lei. Lei dos homens, evocada para proteger os direitos patrimoniais, direitos à matéria, na mesmice em que se organizam as instituições humanas.
Tal obra não é disponibilizada pelos detentores de seus direitos nem mesmo pela Internet. Igualmente, não se vê o livrinho publicado em edições simples a preços módicos, em atitude compatível com a preocupação, que deveria ser precípua, de disseminar um conhecimento que se reputa tão revelador e consolador. Parece existir uma razão a sugerir que a exploração comercial e a renda gerada justificam tais práticas. É uma opção, que talvez não seja a mais coerente com a própria lógica da proposta, de esclarecer para a vida eterna.
Aliás, surge verdadeiro dilema na proteção dos direitos de exploração dessa obra: a lei em que se apóia tal proteção protege o autor, ou quem tenha deles recebido os direitos, e confere a seus sucessores a exploração exclusiva por um prazo de 75 anos, salvo engano, após a morte do autor. Como Chico Xavier morreu em 2002, até 2077 os detentores dos direitos poderão explorar os livros com exclusividade. Mas há uma inquietante pergunta a se fazer.
Não seria o Chico "mero" medianeiro de recepção desse material? Em verdade o conteúdo não seria de autoria de outras pessoas, já anteriormente falecidas? Pois bem. Parece-me que se há realmente a crença de que Emmanuel e André Luiz, por exemplo, são pessoas que viveram há muitas décadas e que se comunicaram com os encarnados por meio de médiuns, sendo os verdadeiros autores das obras, deveria ao menos haver certo constrangimento em apoiar-se na autoria de Chico Xavier para garantir a exploração exclusiva da obra, publicando-a e impedindo que outras editoras o façam, ou deixando de disponibilizar o conteúdo na Internet.
Ao contrário, se se optar por atribuir a autoria ao próprio Chico, fica renegado o caráter mediúnico da mensagem em troca do direito de explorar a renda das belíssimas histórias.
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