Prezados amigos,
Esses dias o Ito, de Brasília, me pediu pra contar a história da música Reencontro. Foi tão legal e emocionante rememorar isso, que resolvi postar aqui uma adaptação desse relato. Ei-lo.
Eu frequentava a Mocidade Espírita Maria Alice, em Belo Horizonte. Um dos grandes amigos que eu tinha por lá era o Jônatas, com quem eu vim a fazer algumas músicas em parceria.
Era 1998. A gente já tinha tentado fazer uma ou outra música, alguns meses antes, mas não tinha dado muito certo. Eu não sentia muita confiança, mas o Jônatas gostava de escrever uns versos e às vezes me passava.
Esse grupo espírita que a gente frequentava era - e ainda é - no andar de baixo da minha casa, porque foi fundado pelo meu avô e nós (eu, meus pais e irmãs) morávamos no sobrado, no andar de cima, onde minha mãe mora até hoje.
Por causa dessa "peculiaridade geográfica", o Jônatas tinha o hábito de às vezes chegar pra mocidade mais cedo, pois saía direto do trabalho e passava na minha casa, quando preparávamos coisas da mocidade, conversávamos etc. A mocidade era - e também ainda é! - toda sexta-feira, 20h. Naquele dia em que acabamos compondo Reencontro, ele chegou na minha casa por volta das 19h, com a letra da música escrita num papel, exceto a última estrofe. E me pediu pra musicar.
Eu disse a ele que não daria tempo de tentar fazer uma música naquele momento, pois daí a pouco tínhamos que descer pra mocidade. Disse também que a inpsiração não tem encomenda e que ele deixasse a letra que eu pensaria depois.
Mas não adiantou eu relutar. Ele, muito insistente (como sempre), disse que não aceitava, e falou que ou eu musicava naquela hora, ou não me deixaria ir pra mocidade, bem como não iria também. Ou seja, a coisa foi na força mesmo!
Nessa fraternal pressão... eu peguei o violão e já saiu a música tal como ficou, imediatamente. Depois vimos que faltava alguma coisa e a última estrofe foi elaborada. Mas isso já foi na preparação pra X Comemofra, pois a música Reencontro foi pra pasta de músicas desse encontro de jovens, onde foi bastante cantada.
Lembro-me bem, aliás, da atividade de encerramento da X Comemofra, em que foi feito um "caracol" no gramado, ao som de Reencontro, e foi muito marcante e emocionante. Alguém aí esteve por lá e lembra desse fato?
A composição da música foi mais ou menos pelo final de 1998, e a Comemofra no começo de 1999. Eu tinha de 17 para 18 anos. O Jônatas devia ter uns 26 ou 27. Ele faleceu em 2003 e, agora, espero que esteja nos inspirando do lado de lá. Ou pentelhando mesmo, que era algo que ele fazia e bem, hehehe...
Depois o Jônatas me contou a inspiração dele pra fazer a letra. Ele disse que um dia (ou uns dias) antes ele estava literalmente começando a dormir, na casa dele, quando viu um amigo, antigo frequentador dessa mesma mocidade, entrar pelo quarto dele voando, como se estivesse em desdobramento. Esse amigo estava morando no interior já havia algum tempo, eles estavam sem contato. E o Jônatas escreveu os versos de Reencontro pra falar da saudade, da amizade e que não haveria fronteiras pra unir quem se liga por um sentimento sincero.
No cd Viajante do Universo, quem canta essa música comigo é a Thalita, companheira de mocidade que viveu todos aqueles anos conosco. E no trompete a participação especial é do Paulinho Trompete, frequentador do Grupo Irma Ló.
A propósito do falecimento do Jônatas, eu compus em 2005 a música "Como é bom estar contigo" em homenagem a ele. Essa música também está no cd Viajante do Universo. E não foi bem uma composição. Num dia que dormi de tarde, meio fora de hora, por causa de alteração no horário do trabalho, acordei com a nítida lembrança de estar cantando o refrão dessa música junto a outras pessoas no plano espiritual, para o Jônatas, que não estava presente. O refrão desse sonho é, sem tirar nem por, o refrão de "Como é bom estar contigo":
Penso em você
Em como é bom estar contigo
Sinto o por quê
Tanta alegria em ser seu amigo!
Bem, é isso. Trata-se uma lembrança prazerosa, e antiga o suficiente pra me fazer compreender que estou ficando velho...
Abraços a todos.