domingo, 23 de agosto de 2009

Direitos autorais dos espíritos

Tenho muitos livros espíritas. A maioria é de fonte mediúnica e possui como signatários uma dupla: o médium e o autor espiritual.

Em minhas mãos, agora, estou com o livro "Ação e Reação", uma dessas pérolas raras de André Luiz. Tem tudo, como os demais livros do Chico Xavier, pra ser um livro absolutamente diferente dos livros que a literatura mundial disponibiliza: trata dos temas de além-túmulo, narrando uma inimaginável vida no plano espiritual; consubstancia ensinamentos de elevado teor moral, que concitam os homens a agir pensando nas consequencias do que faz, mesmo quando consiga ocultar seus atos dos olhos dos homens; traduz um manual prático de compreensão da lei da reencarnação, traduzindo em prática a vida espiritual que o Consolador afirmou existir.

Mas há uma perspectiva que o torna um livro absolutamente comum, igual a todos os outros, e pelo que ele perde a oportunidade de mostrar ao mundo, também por essa ótica, o quanto é diferente: é que em suas primeiras páginas encontra-se aquela advertência tradicional de que trata-se de uma obra cujos direitos estão reservados ao seu editor, nos termos da lei. Lei dos homens, evocada para proteger os direitos patrimoniais, direitos à matéria, na mesmice em que se organizam as instituições humanas.

Tal obra não é disponibilizada pelos detentores de seus direitos nem mesmo pela Internet. Igualmente, não se vê o livrinho publicado em edições simples a preços módicos, em atitude compatível com a preocupação, que deveria ser precípua, de disseminar um conhecimento que se reputa tão revelador e consolador. Parece existir uma razão a sugerir que a exploração comercial e a renda gerada justificam tais práticas. É uma opção, que talvez não seja a mais coerente com a própria lógica da proposta, de esclarecer para a vida eterna.

Aliás, surge verdadeiro dilema na proteção dos direitos de exploração dessa obra: a lei em que se apóia tal proteção protege o autor, ou quem tenha deles recebido os direitos, e confere a seus sucessores a exploração exclusiva por um prazo de 75 anos, salvo engano, após a morte do autor. Como Chico Xavier morreu em 2002, até 2077 os detentores dos direitos poderão explorar os livros com exclusividade. Mas há uma inquietante pergunta a se fazer.

Não seria o Chico "mero" medianeiro de recepção desse material? Em verdade o conteúdo não seria de autoria de outras pessoas, já anteriormente falecidas? Pois bem. Parece-me que se há realmente a crença de que Emmanuel e André Luiz, por exemplo, são pessoas que viveram há muitas décadas e que se comunicaram com os encarnados por meio de médiuns, sendo os verdadeiros autores das obras, deveria ao menos haver certo constrangimento em apoiar-se na autoria de Chico Xavier para garantir a exploração exclusiva da obra, publicando-a e impedindo que outras editoras o façam, ou deixando de disponibilizar o conteúdo na Internet.

Ao contrário, se se optar por atribuir a autoria ao próprio Chico, fica renegado o caráter mediúnico da mensagem em troca do direito de explorar a renda das belíssimas histórias.

sábado, 20 de junho de 2009

O sal da terra

Eis uma belíssima música da dupla Beto Guedes/Ronaldo Bastos: O sal da terra.

(clique aqui com o botão direito e escolha abrir em nova janela para ouvir a música)

Fico tentando entender do que eles estão falando nessa canção. É incrível como a inspiração traduz entre nós conceitos belíssimos, no caso, graças à percepção refinada desses dois músicos. E pra sugerir uma interpretação que me parece bem ressaltante, segue, após cada verso da música, um versículo bíblico. Será que tem alguma coisa a ver? Será a Renegenração?

Anda! Quero te dizer nenhum segredo
"Quem tem ouvidos, ouça." (Mateus, 11, 15)

Falo desse chão, da nossa casa
"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra." (Mateus, 5, 6)

Vem que tá na hora de arrumar...
"Ora, depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles." (Mateus, 25, 19)

Tempo! Quero viver mais duzentos anos
"Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João, 3, 3)

Quero não ferir meu semelhante
"Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica." (Lucas, 6, 29)

Nem por isso quero me ferir
"E o segundo [mandamento], semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Mateus, 22, 39)

Vamos precisar de todo mundo
"E chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido." (Lucas, 15, 6)

Prá banir do mundo a opressão
"Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça." (Romanos, 1, 18)

Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor
"E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram." (Mateus, 7, 14)

A felicidade mora ao lado
"Então olhei eu para todas as obras que as minhas mãos haviam feito, como também para o trabalho que eu aplicara em fazê-las; e eis que tudo era vaidade e desejo vão, e proveito nenhum havia debaixo do sol." (Eclesiastes, 2, 11)

E quem não é tolo pode ver.
"Insensatos e cegos! Pois qual é o maior; o ouro, ou o santuário que santifica o ouro?" (Mateus, 23, 17)

A paz na Terra, amor, O pé na terra
"Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz seja com esta casa." (Lucas, 10, 5)

A paz na Terra, amor o sal da...
"Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens." (Mateus, 5, 13)

Terra! És o mais bonito dos planetas, tão te maltratando por dinheiro, tu que és a nave nossa irmã
"Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. (Timóteo, 6, 10)

Canta!Leva tua vida em harmonia
"Pela meia-noite Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, enquanto os presos os escutavam." (Atos, 16, 25)

E nos alimenta com seus frutos, tu que és do homem, a maçã...
"Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir?" (Mateus, 6, 31)

Vamos precisar de todo mundo
"E chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido." (Lucas, 15, 6)

Um mais um é sempre mais que dois
"Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." (Mateus, 18, 20)

Prá melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão
"Ora, os que comeram os pães eram cinco mil homens." (Marcos, 6, 44)

Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois...
"E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe." (Apocalipse, 21, 1)

Deixa nascer, o amor...
Deixa fluir, o amor...
Deixa crescer, o amor...
Deixa viver, o amor...
O sal da terra

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus, 5,16)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Gato fluídico

Retirado de uma entrevista concedida por Luciano dos Anjos a um site. Vale à pena rir também:

Quais as novidades? Há algum livro novo em perspectiva?
Sobre o movimento espírita (que prossegue com maiúsculas...), às vezes rio, às vezes choro. Por exemplo: num centro aqui do Rio, bem freqüentado e rotulado de kardecista, existe agora um gato fluídico, que permanece na coleira, junto à mesa, enquanto os oradores falam. O médium da casa explicou – e o presidente endossou – que o bichano tem a faculdade de absorver os fluidos negativos do ambiente. Já sugeri, considerando que estamos em temporada febril de hinos espíritas, a elaboração de mais um: Atirei o Pau no Gato. E também que sejam compradas mais duas coleiras, uma para o médium e outra para o presidente, a fim de que não andem soltos por aí.

Essa novidade faz rir. Mas para chorar conto que caminhamos destrambelhados para a total igrejificação. As consciências se deixam dominar com incrível facilidade e as cúpulas (que adoram mandar e dar ordens) fazem o que bem querem. Ninguém pergunta, ninguém contesta, ninguém reage. Os espíritas estão acoelhados e acham que vai tudo muito bem e que, embora seguindo os passos da igreja católica, esse é o caminho. Não percebem que tomaram um atalho cujo fim é o abismo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia Internacional do Trabalho

Comemora-se hoje o Dia Internacional do Trabalho, numa referência à reação dos trabalhadores, ainda no século XIX, frente a condições absolutamente indignas de trabalho a que eram expostos - pelos seus pares de humanidade - após as Revoluções Industriais.

A data é relevantíssima pra auxiliar nossa memória a não se esquecer que o escopo dos direitos trabalhistas conquistados é o de garantir um mínimo existencial de dignidade a essa imensa massa de pessoas que só tem a sua própria força de trabalho como bem a lhes permitir a própria sobrevivência. Nunca é demais relembrar-se isso, ainda mais porque em tempos de crise ficam agitados aqueles que vêem na diminuição dos direitos do trabalhador a única forma de saciar a sanha capitalista.

Pois bem. Para o dia, uma lição de Emmanuel (n.º 61), do "Livro Caminho, Verdade e Vida". Fala-se de uma esfera em que o trabalho pode ser pensado e que vai muito além das situações comuns encontradas na Terra. É um paradigma a estabelecermos, como meta individual, para chegarmos a posição mais digna no nosso papel na humanidade.

MINISTÉRIOS

“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” — (1ª EPÍSTOLA A PEDRO, capítulo 4, versículo 10.)

Toda criatura recebe do Supremo Senhor o dom de servir como um ministério essencialmente divino.

Se o homem levanta tantos problemas de solução difícil, em suas lutas sociais, é que não se capacitou, ainda, de tão elevado ensinamento.

O quadro da evolução terrestre apresenta divisão entre os que denominais “magnatas” e “proletários”, porqüanto, de modo geral, não se entendeu até agora no mundo a dignidade do trabalho honesto, por mais humilde que seja.

É imprescindível haja sempre profissionais de limpeza pública, desbravadores de terras insalubres, chefes de fábricas, trabalhadores de imprensa.

Os homens não compreenderam, ainda, que a oportunidade de cooperar nos trabalhos da Terra transforma-os em despenseiros da graça de Deus. Chegará, contudo, a época em que todos se sentirão ricos. A noção de “capitalista” e “operário” estará renovada. Entender-se-ão ambos como eficiente ser­vidores do Altíssimo.

O jardineiro sentirá que o seu ministério é irmão da tarefa confiada ao gerente da usina.

Cada qual ministrará os bens recebidos do Pai, na sua própria esfera de ação, sem a idéia egoística de ganhar para enriquecer na Terra, mas de servir com proveito para enriquecer em Deus.

terça-feira, 10 de março de 2009

Excomunhão

O caso foi bárbaro: uma criança de 9 anos foi estuprada pelo padastro (e o era desde os 6) e apareceu grávida de gêmeos.

Os médicos apontaram que a formação física da menina fazia da gestação uma trilha de alto risco para a vida da criança e de seus fetos. Consentiu a família e um médico realizou o aborto, autorizado pela lei brasileira em razão do estupro.

Em sguida, "autoridades" Católicas excomungaram (a excomunhão é uma grave pena dentro da liturgia católica) os envolvidos por causa da realização de prática em desacordo com os preceitos da Igreja, que recrimina a prática. Ministros, o Presidente da República, a imprensa e outras expressões do meio social se revoltaram pela atitude considerada injusta da Igreja, em razão da barbárie que baseou o caso, legitimadora, aos olhos da maioria (e aos meus também), da atitude do aborto.

Mas, convenhamos: o Estado não é laico? Por que tanta preocupação para com uma liturgia da qual só é adepto quem assim o desejar? Para quem tais valores devem possuir relevância, senão aqueles que esposaram tais crenças?

Reservem-se as preocupações com as consequências das convicções religiosas e suas liturgias para quem a elas livremente resolveu aderir. Continuem as autoridades públicas repercutindo as decisões da Igreja a tal ponto e a Igreja seguirá influenciando de modo profundo até mesmo as ações de quem dela não participa.

Os mais atentos aos aspectos sociológicos dirão, com boa razão, que não se pode afastar a influência da Igreja, ainda mais em meios sociais carentes, nos quais ela cumpre importante função, chegando as penas religiosas a serem até mais impactantes que outros fatos sociais estatais. O argumento procede, mas não parece forte o bastante pra justificar tamanha repercussão de uma prática religiosa. Ao contrário, garante a Constituição Federal a liberdade de culto aos brasileiros - com direito a todas as convicções que respeitem ao futuro das pessoas num céu ou num inferno.

Então o Estado, quando quer reprovar a decisão da Igreja, é que está tentando se impor a ela, oprimindo a liberdade que ela deve ter de, concorde ou não a sociedade, atribuir o céu a certas práticas e o inferno a outras. Vamos querer agora submeter o que as autoridades canônicas devem acreditar como salvação ou morte eterna segundo nossas convições?

As leis do Estado, essas sim, são de observância obrigatória, e não houve infração a nenhum preceito legal brasileiro que ensejasse a reação das autoridades brasileiras. Por isso, penso que essas autoridades perderam boa oportunidade de deixar a atitude da Igreja, mais tarde "referendada" pelo Vaticano, ao plano de importância que ela merece: o círculo de repercussões das liturgias de uma religião e de seus adeptos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os trotes do século XXI

Trotes.

Os noticiários tem dado ampla cobertura aos excessos cometidos nos trotes aplicados por veteranos em seus calouros aprovados no vestibular.

A prática é antiga e os abusos também não são nenhuma novidade. O que parece novo são a disseminação e a diversificação da prática, cada vez mais numerosa e sem graça, incluindo traços de "delicadeza" como forçar o calouro a nadar numa mistura de estrume e lama. Claro, afinal deve ser muito útil a experiência de nadar em estrume e lama, e deve haver larga relação com a atividade universitária...

Mas é que o acesso ao Ensino Superior tem crescido fortemente. E isso tem se convertido em banalização do Ensino Superior, ingressando cada vez mais pessoas sem real noção do significado de cursar uma faculdade. E como o nivelamento vai sendo feito por baixo, atividades marginais - e mais adequadas à mediocridade reinante - ganham importância, como é o caso dos trotes.

Não sabem muitos desses novos universitários que se na geração de seus pais a aprovação no vestibular beirava um feito notável, hoje em dia em raros casos significa algo relevante. É que a sociedade brasileira ainda não se adaptou ao fato de que ingressar numa faculdade atualmente é muitas vezes como entrar numa loja e comprar um produto - é a banalização do acesso. E, sim, vende-se um produto (muitas vezes ruim) mais do que se presta um serviço público de educação, na maioria dessas instituições.

Desconhecem os alunos - sujeitos passivos de um processo cruel de exploração e engano - que a bancada da educação, uma das maiores da Câmara Federal, não é um grupo de Deputados interessados no ensino de qualidade, mas tratam-se, sim, de Deputados financiados pelos grandes empresários do ensino e que lá estão para garantir os benefícios econômicos de seus coronéis.

O resultado? Uma lástima. Comemoram de um jeito estúpido um fato que talvez comportaria melhor uma celebração fúnebre. É o ingresso em uma instituição interessada na grana do aluno, e não na educação dele. Estão sendo enganados. E isso não é lá coisa pra se comemorar. Eis o papel da ignorância no sistema.

Mas, ignorantes, portanto, de todo esse processo que os conduz em cursos que possivelmente em nada acrescerão suas possibilidades no mercado de trabalho, encontram perfeita sintonia entre essa fase pós-adolescente de auto-afirmação da identidade e a possibilidade de ser um cruel e respeitável "veterano", que "sabe das coisas", e que tem o direito de impor esse rito de passagem (do nada pro lugar nenhum) aos seus calouros.

Tudo bem. Exagero com a coisa da passagem do nada pro lugar nenhum. E só vejo algum benefício nessa coisa do trote por reconhecer a exatidão do alerta de Joseph Campbel em "O Poder do Mito", mostrando-nos que a falta de rituais que ajudem os jovens a se tornarem adultos (e terem tal percepção) é parte do que tem levado a juventude ao desbaratino de identidade.

Então, os "pobres" jovens, meio muito perdidos, parece que buscam instintivamente a construção daqueles ritos que signifiquem a passagem pra uma vida adulta, ritos bastante fora de moda nas nossas sociedades.

Acho difícil eles encontrarem isso no prazer de ver o semelhante se esfregar no estrume. Mas, vai saber, com tão poucas bússolas disponíveis, cada doido que crie a sua...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Crise, essa gordinha engraçadinha!

Crise financeira. Funciona mais ou menos assim:

- O capitalismo é um sistema que se assemelha a um sujeito muito gordinho, mas que pra se saciar precisa comer mais, mais, mais e mais ainda. Assim - e só assim - ele fica felizinho. Mas se um dia ele comer o mesmo ou menos do que no dia anterior, pronto: entra em crise, começa a chorar, se debater, dá um pitizinho.

- Logo, logo ele tem que arranjar um jeito de comer mais.

- Baseadas numa ficção total, as empresas tem a impossível missão de lucrar sempre mais do que antes. O crescimento é medido sobre o já crescido anteriormente, e a tarefa é muito mais enganar e simular a capacidade de crescer do que efetivamente crescer. Isso dá dinheiro, o objetivo unívoco da sociedade contemporânea.

- Daí os executivos ultra-remunerados fazem malabarismos impossíveis e ficciosos, as empresas adquirem participações umas das outras, simulam resultados, corrompem auditorias e tudo vai se baseando num sistema dependente do crédito, ou seja, de uma perspectiva futura que é pelo menos superestimada (pra dizer o mínimo).

- Ou seja, é a expectativa do que poderá existir de riqueza no futuro que vai lastreando a falsidade na qual se baseia o crescimento da economia. Mesmo que seja uma expectativa falsa!

- Mas chega uma hora que a coisa dá muito na cara... a ponta da corda, que é a produção efetiva de riquezas, arrebenta (excesso de produção), os sacos de dólares dos operadores do sistema já estão devidamente empaturrados e vem à tona a mentira que simulou um crescimento que, na verdade, é um crescimento futuro e que foi antecipado na marra, pra atender aquela ânsia do capitalismo de comer cada dia mais que ontem - esse fominha desvairado!

- Aí todos se afundam. As pessoas sorriem menos (dizem as pesquisas). A preocupação global se instala e os jornais clamam por novos paradigmas.

- A Sony, por exemplo, está muito mal. Lucrou apenas 100 milhões de dólares em 2008, contra 2 bilhões em 2007. Coitada. Como é triste ter menos do que ontem. Isso é motivo bastante para o sofrimento.

- E os bobos que se endividam para repartir seu dinheiro entre os contratadores do endividamento, os vendedores das desnecessidades e os especuladores do meio do caminho é que perdem seu emprego e expressam a crítica situação com suas estatísticas... O sistema bancário americano teve no ano passado o primeiro trimestre de perdas desde 1990. Isso: eles ganharam dinheiro, muito dinheiro, durante esse tempo todo, e quando a coisa foge um pouquinho da conveniência deles, é crise, corte de empregos, falência com prejuízo aos minoritários.

- Vai entender essa crise. Essa engraçadinha, chamada crise. Essa gordinha inveterada, chamada crise. Essa bolinha que só sabe ameaçar a explosão, mas que na hora "H" dá seu jeitinho e segue seus ciclos de muito comer... Quando será o próximo?

- (Só acho que quando for o último, o do colapso, ela não vai dar essa bandeira toda...)